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CAIXA 2 de FHC comprovado mas não investigado: Por que?
Governo barra investigação de caixa-dois no Congresso
17/12/2000
Autor: WLADIMIR GRAMACHO
Origem do texto: Da Sucursal de Brasília
Editoria: BRASIL Página: A4
Edição: Nacional Dec 17, 2000
Arte: ILUSTRAÇÃO: GRAFITE - PAULO CARUSO
Vinheta/Chapéu: CONTAS DA REELEIÇÃO
Assuntos Principais: CONGRESSO /PARLAMENTO/; GOVERNO FHC; CAMPANHA ELEITORAL; RECURSO; INVESTIGAÇÃO; FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Governo barra investigação de caixa-dois no Congresso
WLADIMIR GRAMACHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo venceu a queda-de-braço com a oposição e bloqueou a investigação que o Congresso poderia fazer sobre o caixa-dois das campanhas do presidente Fernando Henrique Cardoso ao Planalto, em 1994 e 1998.
Diante da possibilidade de as investigações não se limitarem às campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, até o PT foi mais tímido do que costuma ser para pedir a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito. Apenas ameaçou recolher assinaturas num pedido de abertura de investigações. Ficou na ameaça. O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro das duas campanhas de FHC, e seus dois principais assessores, Egydio Bianchi e Adroaldo Wolf, também não deverão ser convocados para esclarecer o caso no Congresso.
Empolgado com mais uma vitória sobre a oposição, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio ( PSDB -AM), não quer abrir espaço para a investigação parlamentar. "Agora, vamos juntar a base aliada para derrubar o requerimento de convocação do Bresser ", avisa.
Para o líder do PSB na Câmara, deputado Alexandre Cardoso (RJ), o comportamento dos partidos governistas ( PSDB , PFL e PMDB) é típico de quem tem algo a esconder. "Derrubar essa convocação é o mesmo que assinar um atestado de culpa, impedindo que o caso seja esclarecido", rebate o parlamentar.
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Arthur Vírgilio admite Caixa 2
Virgílio conhece como funciona a contabilidade das campanhas. Ele mesmo conta que, em 1986, recebeu dinheiro no caixa-dois de sua campanha para o governo do Amazonas. Apenas faz uma ressalva. "As empresas pediram para não declarar porque temiam retaliações do governador", explica o deputado. Ele só assume o "pecadilho" porque diz que não gosta de "hipocrisia".
Sem uma CPI, entretanto, o caixa-dois das campanhas eleitorais continuará sendo um dos principais tabus da política brasileira. A investigação sobre as doações ilegais recebidas pelas campanhas de FHC _reveladas pela Folha nas últimas semanas_ ficará restrita ao Ministério Público.
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, já tem em mãos todos os documentos necessários para apresentar denúncia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nos próximos dias, concluirá se houve crime eleitoral ou se o caso vai para a gaveta.
A apuração dos demais crimes potencialmente ligados ao caso _falsidade ideológica, sonegação fiscal e evasão de divisas_ está entregue aos procuradores da República no Distrito Federal, que também investigam a Abin, o ex-secretário Eduardo Jorge Caldas Pereira e uma longa lista de grandes sonegadores elaborada pela Receita Federal.
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R$ 10,120 milhões foram omitidos do TSE pelo PSDB
Planilha mostra como Matarazzo agiu por recursos
03/12/2000
Autor:
Editoria: PRIMEIRA PÁGINA Página: A1
Edição: Nacional Dec 3, 2000
Observações: MANCHETE
Arquivo revela meta de arrecadar R$ 6 milhões com empresas para reeleger FHC; ministro nega atuação
Planilha mostra como Matarazzo agiu por recursos
Uma nova planilha eletrônica do comitê financeiro da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, revela a ação do ministro Andrea Matarazzo (Secretaria de Comunicação) para angariar fundos, informam Andréa Michael e Wladimir Gramacho.
O arquivo dá pistas sobre a origem dos R$ 3 milhões arrecadados pelo ministro para o caixa-dois da reeleição.
Os dados mais reveladores estão na planilha "MM", código usado pelo comitê financeiro para designar Matarazzo.
A tabela eletrônica relaciona 17 empresas. Ao lado de cada uma, aparecem nomes de dirigentes a serem procurados e a indicação das metas de arrecadação em cada companhia.
Ao todo, Matarazzo deveria coletar R$ 6,020 milhões _o dobro do que conseguiu obter.
Pelo registro eletrônico do arquivo, seu autor é o ex-ministro Bresser Pereira, tesoureiro oficial das duas campanhas presidenciais de FHC.
Matarazzo nega atuação na arrecadação de recursos para a reeleição. Procurado por e-mail, Bresser não respondeu.
Nas últimas semanas, a Folha revelou que R$ 10,120 milhões foram omitidos do TSE pelo PSDB em 98.
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Bresser pede impeachment de Lula mas ñ explica C2
Verba de campanha
"A propósito de reportagem publicada na edição de 3/12 deste jornal, na qual sou citado, desejo insistir, uma vez mais, no esclarecimento da verdade acerca do episódio.
Reafirmo que não exerci funções de arrecadador de contribuições financeiras para a campanha eleitoral do PSDB em 1998. Trabalhei na coordenação política em São Paulo e promovi dois jantares reunindo empresários com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Essa foi minha atuação naquele pleito.
Quanto a esse ponto, aliás, a reportagem foi fiel às minhas declarações.
Sendo essa minha atividade, não poderia ter sido, como não fui, responsável pela arrecadação de R$ 3 milhões de contribuições à campanha, como informa erroneamente a reportagem. Igualmente, jamais poderia ter, como não tive, a meta de arrecadar R$ 6 milhões para o mesmo fim, como se afirma no texto, novamente incorrendo em erro.
O senhor Luís Carlos Bresser Pereira, a quem o jornal atribuiu a propriedade e o uso das planilhas, negou enfaticamente tal responsabilidade, primeiro em e-mail enviado à Redação e depois em diversas declarações. Afirmou, inclusive, desconhecer tais planilhas na forma como foram publicadas.
De minha parte, desconheço as planilhas de metas ou outras, assim como ignoro sua origem e o motivo para meu nome estar nelas relacionado."
Andrea Matarazzo, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo da Presidência da República (Brasília, DF)
Resposta dos jornalistas Andréa Michael e Wladimir Gramacho _ As informações publicadas constam de planilhas secretas, obtidas pelo jornal, que revelam doações feitas para a campanha de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e não registradas no Tribunal Superior Eleitoral. A reportagem de ontem deixa clara a origem das informações. Ressalta que se tratavam de metas de arrecadação atribuídas ao ministro Andrea Matarazzo.
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Em 1994 PSDB também teve Caixa 2
Bresser nega planilha que mostra R$ 8 mi não declarados na eleição de FHC; Andrade Vieira admite uso de caixa-dois
PSDB omitiu doações também em 94
ANDRÉA MICHAEL
WLADIMIR GRAMACHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A campanha eleitoral que elegeu o presidente Fernando Henrique Cardoso pela primeira vez, em 1994, também movimentou recursos por meio de um caixa-dois.
Uma planilha eletrônica mostra que pelo menos R$ 8 milhões deixaram de ser declarados ao Tribunal Superior Eleitoral na ocasião. Uma lista com quase 300 empresas relaciona 53 nomes de doadores cujas contribuições não figuraram na prestação de contas.
Há uma semana, a Folha revelou que a campanha da reeleição teve no mínimo R$ 10,12 milhões além do declarado.
O autor do arquivo de 94, segundo registro eletrônico, é, de novo, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro nas duas campanhas. Ele nega a autoria das planilhas.
O ex-ministro de FHC José Eduardo Andrade Vieira, um dos organizadores da campanha em 94, confirmou em depoimento ao Ministério Público, sexta, o uso de caixa-dois.
"Quando o empresário não quer aparecer, contribui em espécie", disse.
Págs. A16 e A17
2 comentários:
Parabéns Andrei e Franklin pela iniciativa.
São pessoas como vocês, verdadeiros brasileiros, que fazem a história do nosso país.
Conte com meu humilde apoio naquilo que for preciso.
Abraços fraternos.
Obrigado pelo apoio, sempre que tiver notícias ou informações envie para nós. É sempre legal a ajuda de todos.
Quero deixar claro que não é somente eu e o Andrei e um time de mais de 30 pessoas que trabalham por esta causa. Portanto, considere que somos todos nós.
Abraços.
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