sexta-feira, dezembro 19, 2008

O mais revolucionário, o mais comovente, discurso de Raúl, no Grupo do Rio.

Camaradas e Companheiros,
Recebi, por e-mail, do Max Altaman, o texto traduzido do discurso mais revolucionário e mais comovente feito por Raúl Castro, na Reunião de Presidentes da Cúpula do Grupo do Rio, dia 16 de dezembro último, na Costa do Sauípe. Este é, de longe, o mais importante de todos os discursos feitos nas 4 Cúpulas que aconteceram no mesmo dia 16 de dezembro. Eu tive o privilégio de assistí-lo ao vivo, pela NBR.
Como disse Max, vale a pena lê-lo, relê-lo muitas vezes e refletir profundamente sobre ele!
Saludos rebeldes,
Lilian Vaz
 

Peço aos meus leitores licença e desculpas por essa digressão:
por ocasião das comemorações dos 50 anos do Triunfo da Revolução que teve lugar no último domingo, 14 de dezembro, no Memorial da América Latina, patrocinado pelo Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, uma jornalista de televisão universitária que me entrevistava a propósito dos 5 Patriotas cubanos, finalizou a entrevista com uma pergunta a respeito do futuro da Revolução Cubana.
 
Respondi-lhe que uma revolução que nasceu de uma epopéia, a viagem e o desembarque do iate Granma em condições extremamente adversas, que evoluiu numa gesta heróica para a formação do exército guerrilheiro, que se consolidou em atos de incrível coragem, audácia e determinação, que avançou no contacto com os camponeses, trabalhadores, estudantes, que se tornou vitoriosa, apoiada no povo e num programa democrático-popular, que teve a sua frente liderança da estatura dos seus principais líderes, que soube, como sua principal tarefa, se defender e resistir às agressões externas, ao isolamento e ao bloqueio, que mesmo diante de incríveis agruras dirigiu-se ao povo com toda a franqueza para perguntar-lhe se estava disposto a continuar a resistir apesar de tudo - e o povo cubano resolveu enfrentar o desafio -, que soube alimentar em todo o tempo princípios humanitários de igualdade e solidariedade, em particular a solidariedade internacionalista, que educou o povo a ser digno e formar sua consciência política, esta Revolução reúne todas as condições de seguir avançando, resistindo, buscando aliados e construindo um futuro melhor para o seu povo e a nação cubana.
 
O discurso do presidente Raul Castro, guerrilheiro de primeira hora e dirigente revolucionário, revela diversos episódios: alguns conhecidos, outros absolutamente inéditos.
Vale a pena lê-lo, relê-lo e sobre ele meditar.
 
Max Altman
 

Discurso do Presidente de Cuba, Raúl Castro, no Grupo do Rio, Sauípe, Bahia, Brasil.

16 de dezembro de 2008  - "Ano 50 da Revolução"

 

Tradução:  Max Altman é jornalista e Presidente do Comitê Brasileiro pela libertação dos 5 Patriotas.

 

 (discurso de improviso)

 Espero que o companheiro e querido amigo Lula não proteste, porque eu falo menos que Chávez (risos). Simplesmente, tinha planejado pedir a palavra para agradecer a todos, aos que falaram e aos que ainda não discursaram, a todos aqueles que estiveram de acordo, esta unanimidade exemplar que manifestaram a favor do ingresso de Cuba no Grupo do Río. Não sei o que pensarão os senhores, porém para nós é um momento transcendental de nossa historia.

Como num rápido filme, pela minha mente desfilavam centenas de cenas distintas, milhares de rostos de companheiros caídos nesta batalha, porque a luta do povo cubano não é somente o bloqueio. Depois da agressão de Playa Girón en 1961, veio a crise dos foguetes que pôs o mundo à beira da terceira guerra mundial, como conseqüência dessa mesma agressão. Quando se discutiu esse acontecimento da Playa Girón, alguns companheiros tinham dúvida até que, não faz tanto tempo, documentos foram desclassificados pelo governo norte-americano que demonstravam que o mesmo não podia se conformar com essa derrota, e tinham planejado uma agressão direta a Cuba com suas próprias tropas. Este é o motivo da presença dos foguetes e os momentos que se viveram.

Como se chegou a um acordo entre um presidente assassinado e um primeiro-ministro destituído, me refiro a Nikita Kruschov, sempre permaneceu a dúvida e toda vez que havia uma troca de governo nos Estados Unidos, um jornalista, um porta-voz de segunda categoria, diante de uma pergunta aparentemente ingênua, respondia que esse acordo já não existia, que tinha de se fazer gestões para que pelos canais diplomáticos e não públicos se fizesse saber que esse acordo não existia.

Grande foi nossa surpresa quando soubemos, e de fonte fidedigna, que estávamos isolados, totalmente isolados, a tal extremo que Fidel e eu decidimos manter o segredo. Informou-se no Birô (político de Cuba) que eu acabava de regressar da União Soviética e que havia um assunto  sobre o qual se propôs que somente Fidel e eu dele tivéssemos conhecimento, porque se o governo norte-americano, qualquer deles, com uma ou outra exceção, dele se inteirasse, teriam sabido fazer uso dessa vantagem.

Hoje é diferente. Desde que Reagan assumiu o poder, decidimos tomar o assunto em nossas mãos, e hoje talvez possa dizer que há mais compreensão e racionalidade em órgãos de força dos Estados Unidos que na área dos políticos, na área do Departamento de Estado. Hoje podemos dizer que somos invulneráveis do ponto de vista militar, com nosso próprio esforço. Faz mais de 20 anos que não adquirimos um armamento, salvo miras telescópicas para os franco-atiradores e, como é natural, alguma quantidade determinada de peças.

Para nós evitar a guerra sempre significou a vitória principal, e dizíamos: "Evitar a guerra equivale a ganhá-la; mas para ganhá-la evitando-a tivemos de derramar rios de suor e não poucos recursos econômicos" e assim agimos. A defesa do país nos tem custado muito, e continua custando. Milhares de quilômetros de túneis de todos os tamanhos foram construídos, a tal extremo que em Cuba no há nenhuma unidade militar importante na superfície da terra, e sim em suas profundezas, inclusive a aviação.

É por isso que pela minha mente passavam todos esses acontecimentos, e  quantos foram. Imaginem os senhores que no dia 18 de dezembro, praticamente dentro de dois dias, estarei em Brasília em visita oficial, em virtude de amável convite que nos fez o presidente. Nesse dia completará 52 anos de que depois do desastre de 5 de dezembro em seguida ao desembarque (do iate Granma) proveniente do México, em que foi praticamente destruído o destacamento guerrilheiro que dali saiu... Por isso digo que no México nasceram nossas forças armadas, porque o Exército Rebelde foi seu antecedente, como antes o foi o exército mambí, o Exército Libertador, que lutou contra o colonialismo europeu, vamos dizer. Do dia 5 ao dia 18 passaram-se 13 dias. Fidel acreditava que eu estava morto, eu acreditava que ele estava morto. A maioria dos companheiros tombou morto, outros foram assassinados depois de serem capturados feridos ou extenuados. Resisti a um cerco com cinco de meu pelotão. Dos vinte e tantos homens restamos apenas cinco e resistimos ao cerco una semana, onde só podíamos nos alimentar de uns bambus de cana de açúcar, sem água nem comida de espécie alguma. Não gastamos energia movendo-nos, até que alguns incômodos nos indicaram que era o momento de correr o risco e sair do cerco.

Foi assim que 13 dias depois — como lhes dizia —, em 18 de dezembro, já na Sierra Maestra, os camponeses fizeram juntar dois grupos: um era o de Fidel e o outro o meu. Depois do abraço inicial, cerca da meia-noite em que se deu o encontro, Fidel me chamou de lado e me perguntou: "Quantos fuzis você conseguiu trazer?" Eu lhe respondi: "Cinco." E ele disse:  E dois que trago eu, sete. Agora sim ganhamos a guerra!" (risos) E o que vou contar aos senhores agora, só contei depois da guerra e sequer atrevi-me a pô-lo em meu diário: "Meu irmão ficou louco!" (risos). Foi o que pensei. Ele me criticava depois: "Então você não tinha esperança de que íamos triunfar?" Achava mais que não ficaríamos vivos.

É assim que se dá a circunstância, talvez única na história, em que depois de um transcurso tão longo, de mais de meio século, estejam vivos parte dos principais dirigentes de nossa Revolução, e sem que nos tenhamos dado conta, assimilamos uma gigantesca experiência em todos os sentidos, incluído o econômico embora não sejamos economistas.

Depois desta solução da crise dos foguetes, a que fiz referência, surgiu um chamado Plano Mangosta, elaborado pela CIA, que durou cinco anos, uma espécie de guerra civil interna — não guerra civil, luta contra os bandos armados. Houve momentos de estarmos lutando contra 179 bandos nas seis províncias da república que tínhamos então, até a Divisão Político- Administrativa aprovada em 1975 e aplicada em 1976, de seis a 14 províncias.

Essa luta durou cinco anos. Eu chegava no Ministério de Defesa e vinham quatro ou cinco ajudantes simultaneamente a trazer-me as listas, a informar-me o que tinha acontecido na noite anterior, ou nas últimas 24 horas — não dispúnhamos das comunicações eficazes que temos hoje - , e eu lhes dizia: "Digam-me o mais importante: tantos incêndios nos canaviais, tantas casas de curar tabaco ardendo, tantos combates travados na região central, onde foram construídos fortes nas montanhas. E como lhes contava, em duas ocasiões estiveram nas seis províncias, incluindo-se o sul da província de La Habana —que era uma só e agora são duas — onde se encontrava a capital. Essa luta durou até janeiro de 1966, depois foi esporádica.

Quantos companheiros caíram nessa luta, e muitos mais, como conseqüência do terrorismo de Estado que há anos vimos padecendo? Morreram 3478 cubanos, inclusive algumas quantidades menores de crianças, mulheres, inocentes que não estavam participando de luta alguma; incapacitados, 2099; total, 5577 cubanos e cubanas, incluindo-se até atentados a nossas embaixadas, e um, inclusive, na ONU. Isso foi universal: consulados, embaixadas, funcionários diplomáticos, etc.

Resistimos, creio que é o mérito maior de nosso povo, o mérito maior nosso, Resistimos e estamos aqui, e se está produzindo este acontecimento transcendental, que faz um instante eu dizia a Felipe (Calderón): Quanto lamento que não seja Fidel a estar sentado aqui, se bem que nos deve estar vendo pela televisão. (Aplausos)

Ao narrar-lhes essas histórias, que peço me desculpem, o fazia para ressaltar por quê para nós este é um acontecimento de enorme transcendência. Passo agora ao texto escrito, e peço desculpas por ter-me ultrapassado em alguns minutos o que tinha planejado falar. (calorosos aplausos)

 

(texto lido. Transcrevo apenas trechos do original)

Estimado y querido Presidente Felipe Calderón;

Distinguidos y distinguidas presidentas, jefes de Estado y de Gobierno:

Deseo ante todo expresar nuestro agradecimiento a aquellos gobiernos, a todos, que promovieron la plena incorporación de Cuba al Grupo de Río. La decisión adoptada por los cancilleres el pasado 13 de noviembre en México, en la ciudad de Zacatecas, es reflejo del momento singular que viven América Latina y el Caribe.

...

Compartimos la aspiración de que el Grupo de Río sea cada vez más representativo, con la incorporación de todas las naciones que componen esta vasta región latinoamericana y caribeña.

Cuba ingresa al Grupo de Río con el propósito de fomentar la cooperación y solidaridad entre nuestras naciones. Lo hace con el deseo de trabajar a favor de la justicia, la paz, el desarrollo y el entendimiento entre todos nuestros pueblos.

Participa compartiendo el apego mutuo al Derecho Internacional, a la Carta de las Naciones Unidas y a los principios fundamentales que rigen el desarrollo de las relaciones entre las naciones, sobre todo, la no injerencia en los asuntos internos de los Estados, el rechazo a la agresión, a la amenaza y al uso de la fuerza, y al empleo de medidas coercitivas unilaterales, con el fin de impedirle a cualquier Estado el ejercicio del derecho a escoger su propio sistema político, económico y social. Ese es precisamente el propósito del cruel y vengativo bloqueo impuesto por el gobierno de los Estados Unidos, que nuestro pueblo ha tenido que sufrir, y de los datos que en mis palabras iniciales les ofrecí.

Nos incorporamos con el compromiso de ser fieles a los principios de la política exterior de la Revolución Cubana, en los que nos ha educado el compañero Fidel, maestro de la solidaridad y artífice de los valores que la han caracterizado.

...

Evo, incluso, decía que Cuba debe ser miembro de una OEA sin norteamericanos. Nosotros no podemos, por las razones que les estuve explicando y otras muchas que harían extensa esta reunión, con norteamericanos o sin norteamericanos, ingresar a la OEA. Esa sigla debe desaparecer, es nuestra opinión. Respetamos la de ustedes, el que siga perteneciendo a la OEA. Nosotros pertenecemos y perteneceremos al Grupo de Río (Aplausos).

Retransmissão de notícias urgentes sobre libertação dos 5 Patriotas Cubanos

Recebi por e-mail, do Max Altman, Presidente do Comitê Brasileiro dos 5 patriotas, notícias importantíssimas divulgadas hoje, no início da noite, pelas agências Reuters, AP, AFP e Globo Internacional.
Notícias que redobram nossas esperanças e renovam nossas forças para continuar na luta... até a vitória, sempre!!!
O caminho está aberto às negociações. Nosso papel é dar suporte humanitário e apoiar as negociações.
Garantir que de fato aconteçam. Obama sabe que o mundo inteiro luta há 10 anos pela libertação dos 5.
Sabe que desejamos uma negociação tranquila e breve que resulte na libertação imediata dos 5 patriotas!
Venceremos!!!

"Vamos mandá-los com família e tudo. Devolvam-nos nossos cinco heróis. Esse é um gesto de ambas as partes" 

  Raúl Castro, Presidente de Cuba - 18/12/2008 às 19h35

  

"Há muito tempo pedimos a Cuba que liberte os presos políticos, e agora recomendamos que isso seja feito imediatamente"

   Departamento de Estado Americano  - 18/12/2008 às 20h39

 

"Luchar contra lo imposible y vencer!"

  Fidel Castro Ruz

Lilian Vaz

lilian.vaz.iu@gmail.com

izquierda.unida.br@gmail.com

http://brasileiristas.blogspot.com/

11 8181-1760

 


Reuters/Brasil Online  

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/12/18/raul-castro-propoe-troca-de-prisioneiros-para-dialogo-com-os-eua-587359849.asp

Raúl Castro propõe troca de prisioneiros para diálogo com os EUA

Plantão | Publicada em 18/12/2008 às 19h35m - Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente de Cuba, Raúl Castro, propôs na quinta-feira uma troca de prisioneiros com os Estados Unidos, como gesto de boa-vontade para abrir caminho para um diálogo com o futuro governo norte-americano de Barack Obama.

A sugestão para que dissidentes políticos presos na ilha sejam trocados por cinco cubanos condenados por espionagem nos EUA é a proposta mais específica já feita para a melhoria das relações bilaterais desde que Obama foi eleito, em novembro.

As declarações de Raúl devem alimentar a expectativa na América Latina de que o governo Obama, que toma posse em 20 de janeiro, promova uma aproximação com Havana.

O futuro presidente já se comprometeu a eliminar restrições a viagens e remessas de divisas de cubano-americanos para a ilha, mas diz que só vai suspender o embargo econômico, em vigor há 46 anos, quando o regime comunista libertar todos os presos políticos e permitir eleições livres.

Durante visita a Brasília, em sua primeira viagem oficial ao exterior desde que assumiu formalmente a presidência, em fevereiro, Raúl sugeriu que Cuba e EUA façam "gesto e (reciprocamente outro) gesto".

"Esses prisioneiros de que se fala, querem soltá-los? Que nos digam amanhã. Vamos mandá-los com família e tudo. Devolvam-nos nossos cinco heróis. Esse é um gesto de ambas as partes", disse ele, referindo-se aos agentes que, segundo Havana, foram presos quando espionavam grupos de dissidentes que planejavam atentados na ilha.

Em junho, uma corte norte-americana manteve a condenação aos cinco cubanos, mas abriu a possibilidade de redução de penas para três deles.

Na terça-feira, durante a cúpula da América Latina e do Caribe na Costa do Sauípe (BA), 33 países latino-americanos pediram que Obama suspenda as medidas contra o regime comunista. "Não é Cuba quem tem de pedir o fim do embargo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"É fundamental que tenha fim esse embargo, que não tem sustentação política, ética e moral", afirmou Lula, em discurso, antes de almoço oferecido ao presidente de Cuba, Raúl Castro, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Obama ainda não comentou as recentes declarações de Raúl e de seu irmão, o ex-presidente Fidel, sinalizando uma disposição de conversar com o futuro governo.

Raúl disse estar disposto a encontrar Obama onde for, desde que os EUA não coloquem "uma sombra sobre a nossa soberania".

O presidente cubano, que demonstrou irritação com uma pergunta sobre dissidentes em Cuba, está no último dia da sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

Ele tem buscado uma aproximação com Rússia e China, com os quais tem em comum a rivalidade em relação a Washington, e agora busca tirar partido da intenção brasileira de ampliar o comércio com Cuba, especialmente no seu ainda incipiente setor petrolífero.

"Todos queremos que Cuba se torne auto-suficiente em energia", disse Lula em almoço com a delegação cubana.


O GloboAgências internacionais

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/12/18/eua-cobram-soltura-de-dissidentes-cubanos-apos-declaracao-de-raul-castro-587361849.asp

EUA cobram soltura de dissidentes cubanos após declaração de Raúl Castro

Publicada em 18/12/2008 às 20h39m

Raúl Castro e Lula antes do almoço no Palácio do Itamaraty, em Brasília - Reuters 

WASHIGNTON - Os Estados Unidos aconselharam Cuba a libertar "imediatamente" os dissidentes políticos presos na ilha, sem fazer exigência alguma, em referência à troca que o presidente cubano, Raúl Castro, propôs na quinta-feira , quando disse que trocaria os presos de consciência do país pelos cinco agentes de seu Governo mantidos em centros de detenção americanos. A afirmação do líder cubano foi feita durante um encontro bilateral com o presidente Lula, no qual Castro criticou a União Européia e elogiou a amizade entre o Brasil e o país caribenho. Ele foi recebido por Lula no final da rampa que dá acesso ao Palácio do Planalto.

- Há muito tempo pedimos a Cuba que liberte os presos políticos, e agora recomendamos que isso seja feito imediatamente - disse Heidi Bronke, porta-voz do escritório para a América Latina do Departamento de Estado americano.

Para a Casa Branca, a libertação dos dissidentes cubanos não deve estar condicionada à dos cinco agentes do serviço secreto de Cuba, já que, segundo Bronke, os presos políticos são "retidos contra sua vontade por se expressarem livremente", ao passo que os espiões da ilha caribenha "foram julgados e condenados" pela Justiça.

Castro fez a oferta mais específica desde eleição de Obama.

À tarde, Castro fez a oferta mais específica de Cuba para estimular a aproximação com Washington desde a eleição de Obama, em 4 de novembro.

- Vamos fazer gesto e gesto - disse Raúl a jornalistas.

- Esses prisioneiros que se fala, querem soltá-los? Que nos digam amanhã. Vamos mandá-los com família e tudo. Devolvam-nos nossos cinco heróis. Esse é um gesto de ambas as partes.

O presidente cubano se referia a cinco cidadãos cubanos - Gerardo Hernández, René González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González -, tratados como heróis nacionais na ilha, que foram condenados nos Estados Unidos por acusações de espionagem. Em junho, a Justiça americana manteve as condenações, mas abriu a perspectiva de redução das penas para três deles.

Cuba já admitiu que os chamados "cinco heróis" eram agentes do Governo, mas sempre alegou que eles atuavam para impedir atos terroristas contra a ilha e que nunca representaram uma ameaça para a segurança dos EUA.

Na terça-feira, durante a cúpula da América Latina e do Caribe na Costa do Sauípe (BA), 33 países latino-americanos pediram que Obama suspenda as medidas contra o regime comunista. "Não é Cuba quem tem de pedir o fim do embargo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- É fundamental que tenha fim esse embargo, que não tem sustentação política, ética e moral - afirmou Lula, em discurso, antes de almoço oferecido ao presidente de Cuba.

Obama ainda não comentou as recentes declarações de Raúl e de seu irmão, o ex-presidente Fidel, sinalizando uma disposição de conversar com o futuro governo. Raúl disse estar disposto a encontrar Obama onde for, desde que os EUA não coloquem "uma sombra sobre a nossa soberania".

O presidente cubano, que demonstrou irritação com uma pergunta sobre dissidentes em Cuba, está no último dia da sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

Ele tem buscado uma aproximação com Rússia e China, com os quais tem em comum a rivalidade em relação a Washington, e agora busca tirar partido da intenção brasileira de ampliar o comércio com Cuba, especialmente no seu ainda incipiente setor petrolífero.

- Todos queremos que Cuba se torne auto-suficiente em energia - disse Lula em almoço com a delegação cubana.


quinta-feira, dezembro 18, 2008

FELIZ 2009!!!

Para "cerrar el año de 2008, con broche de oro"

 

"Viva los 50 años de la Revolución" !!!! 

Esta revolução que continua a revolucionar nossos ideais,

nossas paixões, nossas entregas na luta por causas justas  

e nossa Pátria Grande, nossa América Latina!

 

Viva a Cúpula dos Povos em Salvador

que nos trouxe de volta a presença de Cuba.

Uma Cúpula verdadeiramente nossa! 

Sem a tutela dos imperialistas do mundo,

que se roeram de ódio pela nossa independência!!!

 

Não me interessa o quanto ainda estamos desorganizados

e o quanto temos de pendengas bilaterais para resolver, 

o enorme êxito da Cúpula, digam o que quiserem, não importa,

a grande vitória foi devolver a Cuba seu lugar de direito, 

e mais importante ainda: devolvemos a nós mesmos o direito

de estarmos junto a Cuba e a Revolução!!!

 

Viva Fidel, para sempre, nosso Comandante en Jefe!!!

Viva Raúl Castro, Viva os 50 anos da Revolução Cubana!!!

Viva a Integração Latino Americana, que virá,

não apenas na vontade de todos nós, mas nas ações reais,

virá muito em breve, não tenho dúvidas!!!

 

Feliz 2009 para todos meus amigos revolucionários que,

como "El Che" são movidos, todos os dias de suas vidas,

por enormes sentimentos de amor pela humanidade.

 

Luchar contra lo imposible y vencer!

Fidel Castro Ruz

 

Lilian Vaz

lilian.vaz.iu@gmail.com

izquierda.unida.br@gmail.com

http://brasileiristas.blogspot.com/

55 11 8181-1760


Hemos tenido el privilegio de cerrar con broche de oro 

18/12/2008 - http://cubasi.cu/desktopdefault.aspx?spk=160&clk=221711&lk=1&ck=113521&spka=35

Palabras pronunciadas por el Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros de la República de Cuba, compañero Raúl Castro Ruz, en el acto de develación del Busto de Simón Bolívar, Salvador, Bahía, Brasil, 17 de diciembre de 2008, "Año 50 de la Revolución".

¡Buenas noches, queridos amigos y amigas de Salvador de Bahía!

A partir de las primeras horas de mañana, empiezo una visita oficial a Brasilia, la capital de Brasil, y cuando concluya este acto nos trasladaremos para allá; por lo tanto, les voy a hablar muy poco, yo no hablo tanto como Chávez, porque Chávez tiene más vigor, es más joven.

Cuando Chávez hablaba, Raúl se acercó para decirle que Fidel lo estaba viendo por televisión, y este lo conminó a que hablara él.

Es cierto que le dije, cuando nos acercábamos aquí, que él estaba preso cuando se celebró la 3ra. Cumbre Iberoamericana, en 1993, con la participación de Fidel y otros jefes de Estado.

Yo me acerqué a la tribuna por una sola razón: Para decirle a Chávez que Fidel lo estaba viendo por televisión en vivo (Aplausos), y, como ustedes vieron, no me dejó hablarle y me puso a hablar a mí.

¿Cómo es que tú le dices a Fidel cuando lo saludas? (El presidente Chávez le contesta.) Le dice: "How are you, Fidel?" (Risas.) Lo saluda en inglés desde Venezuela, cuando está en alguna actividad, o en su Aló Presidente, larguísimos programas que él organiza todos los domingos.

Con él tengo un problema, yo lo veo desde Cuba, pero sus conferencias duran tanto que tengo el televisor bajito y sigo trabajando, y después le pido a algún ayudante que me haga un resumen de lo que dijo el presidente Chávez, porque dice cosas muy interesantes, y aunque soy un poco mayor que él, siempre aprendo algo.

Él recordaba que me dice a mí tío y a Fidel padre, una consideración que a nosotros nos avergüenza, por modestia, pero nos sentimos orgullosos. Y una de mis nietas, pequeña, de unos 12 años, le decía a su mamá —una hija mía— el otro día: "Bueno, si tío Fidel" —le dice tío a Fidel— "es el papá de Chávez y abuelo Raúl es el tío, entonces yo soy prima de Chávez" (Risas y aplausos). Se llama Mónica la chiquita, uno de los seudónimos que usó su abuela —ya fallecida— en la lucha clandestina, en la guerra de liberación.

Solo quería darles un abrazo, a través, de mis palabras, a todos ustedes; a través de ustedes, a todo el estado y a todo Brasil, que tiene ya más de 190 millones de habitantes y más de 8 millones de kilómetros cuadrados.

Cuando venía de Caracas para acá, sobrevolaba por el Amazonas y eran horas y horas y horas viendo la gigantesca y magnífica masa verde de este importante pulmón de oxígeno, ya no solo de Brasil y de América, sino del planeta.

El pueblo de Brasil y el de Cuba tienen las mismas raíces, las raíces étnicas. Este negro grande que ustedes ven aquí (Se refiere al traductor) no es brasileño, es cubano (Risas), si no lo digo podría creer que es brasileño; no baila samba, aunque le gusta ver a las mulatas bailar samba. ¿Cómo se les dice a las mulatas aquí? ¡Ah!, tú no sabes (Risas). Él baila conga, que es una variedad muy parecida y muy alegre.

Tenemos las mismas raíces culturales —les decía—, tenemos un carácter explosivo, esa liga de nuestro tronco africano, nuestro tronco común, y de nuestro tronco europeo: en unos casos predomina uno; en otros, otro. El Poeta Nacional de Cuba, ya fallecido, Nicolás Guillén, tiene una bellísima y larga poesía dedicada a sus dos abuelos: a su abuelo negro y a su abuelo blanco.

Por eso cuando he podido compartir brevemente con esta concentración de bahianos, pues me siento como en Cuba; me siento como en Santiago de Cuba, más parecido aún: más pequeña la ciudad, con menos habitantes, pero los mismos: unos hablan portugués, otros hablan español, y en Cuba muchos hablan "portuñol".

"Portuñol" pudiéramos decir que es un dialecto surgido de la necesidad de comunicarnos entre angolanos y cubanos durante 15 años, que tuvimos el honor de participar, junto con los patriotas angolanos, del Movimiento Popular para la Liberación de Angola, bajo la dirección de su primer Presidente y fundador del Estado, fundado el 11 de noviembre de 1975, cuando por cuatro lugares distintos, a las 12 de la noche de ese día, o de esa noche, el naciente Estado se vio acosado por todos los enemigos: los racistas sudafricanos por el sur, los fantoches de la UNITA, una organización fundada por los colonialistas portugueses y que posteriormente se puso al servicio de los norteamericanos; por el norte, las tropas de Mobutu y de un llamado Frente Nacional de Liberación de Angola, títeres también primero de los colonialistas portugueses y después de la Agencia Central de Inteligencia, la CIA norteamericana.

Un poco más al norte, en un enclave llamado Cabinda, separado del resto del territorio de Angola por la desembocadura del gigantesco río Congo —que era el único lugar en que en aquel momento tenían petróleo, que se extraía próximo a sus costas en el mar—, que cuatro días antes de la proclamación de la independencia fue agredida igualmente, agresión que fue rechazada por tropas cubanas y angolanas.

Esa gigantesca operación militar internacionalista iniciada en el segundo semestre de 1975 duró 15 años. Durante ese tiempo, 300 000 militares cubanos pasaron por Angola y decenas de miles de oficiales; según la situación, siempre hubo entre 35 000 y 55 000 soldados cubanos, se vivieron situaciones dificilísimas en diferentes etapas de esos largos años, y de nuestro pueblo, todos los que participaron, militares, profesionales o de la reserva, fueron con carácter voluntario a cumplir esa peligrosa misión internacionalista. Más de dos mil dieron su vida en tan noble misión, hasta que ya Angola pudo andar sola.

Le pusimos Carlota a esa operación. ¿Quién era Carlota? Una esclava, probablemente de Angola, aunque no ha sido confirmado en las investigaciones, que en el siglo XIX dirigió una sublevación de esclavos. Fracasó, era un lugar aislado, era en una fábrica de azúcar —no era fábrica, no sé cómo le dirían—, era una pequeña fábrica, todavía no eran de vapor (Chávez dice que Raúl habla mucho más que él) (Risas). Y Carlota se fugó a las montañas y se unió a otros esclavos que se habían fugado igualmente, que les llamaban cimarrones. Tiempo después dirigió la sublevación de otro cachimbo de esos azucareros. En esa ocasión fue capturada. Juzgada por los colonialistas españoles fue condenada al descuartizamiento y con cuatro caballos, dividida cruelmente en cuatro pedazos. Era lo mismo que iban a hacer con Angola: dividirla en cuatro pedazos.

Cuando ya por fin llegó el momento de irnos, se había logrado no solo consolidar la independencia de Angola desde Cabinda, por el norte, hasta Cunene, por el sur, en la frontera con Namibia, ocupada en esos momentos también por los racistas sudafricanos. Angola y su millón y cuarto de kilómetros cuadrados se conservó intacta y se conserva hasta hoy.

Logramos, además, que se aplicara la Resolución 435 de las Naciones Unidas, que obligaba a los racistas sudafricanos a abandonar Namibia y a esta obtener su libertad e independencia.

Como otro subproducto de ese heroísmo del pueblo angolano y sus hermanos cubanos, el odioso apartheid de Sudáfrica se quedó seriamente afectado y tambaleándose. El gran dirigente sudafricano, Nelson Mandela, que ya llevaba cerca de 27 años en prisión, obtuvo su libertad y fue el primer presidente también de ese gigantesco y próspero país, después de obtener la victoria en unas elecciones.

Ese es el esfuerzo hecho por el pueblo cubano, los resultados de esos esfuerzos, de ese sacrificio, del que nos sentimos orgullosos.

A los angolanos les dijimos: "De aquí solo nos llevaremos los restos de nuestros muertos", y todos juntos los trajimos a los municipios del país, o sea, a sus hogares de origen. Cuba tiene 14 provincias y 169 municipios y hubo bajas, menos de dos municipios, en todos los demás. En una solemne ceremonia, a la misma hora en todo el país, un 7 de diciembre, dimos sepultura a todos los cubanos caídos en esa misión internacionalista.

A los africanos les dijimos que no necesitábamos que nos manifestaran gratitud alguna, todo lo contrario, nosotros pagamos una pequeña parte de la gran deuda que nuestro pueblo tiene con África, porque la inmensa mayoría de la riqueza de mi país —en aquella etapa el café, el azúcar, entre otras actividades— se logró con mano esclava africana.

Nosotros nos sentimos, todos los cubanos, orgullosos de esas misiones, y hoy seguimos colaborando, pero en otro tipo de actividades civiles.

Quería contarles eso a ustedes, por qué nos sentimos tan bien en una población como esta, que es la misma nuestra.

A todos ustedes, bahianos, un fuerte abrazo de Cuba, de mis acompañantes, del presidente Hugo Chávez, que ya habló —para suerte nuestra habló poco—; del presidente Zelaya, de Honduras; del presidente Evo Morales, de Bolivia (Aplausos).

Creo que por lo menos estos cuatro jefes de Estado aquí presentes, hemos tenido el privilegio de cerrar con broche de oro, en esta breve reunión con ustedes, las cumbres que hemos celebrado durante estos últimos dos días en Sauípe de Bahía.

Muito obrigado (Aplausos).

Fuente: Granma