sexta-feira, dezembro 02, 2005
O Velhinho da bengala
Foi beneficiado por propaganda e verbas públicas da Secretaria da Cultura do Estado do Paraná no mandato do governador do PFL, pelo lançamento de seu livro “Planeta Água”, que foi listado na categoria de literatura. Veja: http://www.pr.gov.br/seec/lote_aprovado1.shtml
O que a imprensa tucana e a oposição vem fazendo contra o PT e contra o governo Lula é a manipulação da informação e da opinião pública (que continua apoiando o governo, para a tristeza da direita). Esse brincar de Pedro Carmona não é coisa nova. A mídia no país sempre serviu às oligarquias, e a ameaça de uma mudança nessa estrutura precisa ser exterminada, execrada, através do controle da notícia. José Dirceu foi cassado pela Câmara, mesmo sem provas, apenas acusações vazias de gente sem um pingo de moral. Que a História derrube as máscaras de cada um. Que o apoio popular por representantes de sua classe aumente ainda mais. Que as eleições definam o que o povo quer.
Escrito por Ernesto Rister
quinta-feira, dezembro 01, 2005
A DITADURA ESCANCARADA
convicta da vitória constitucional que teríamos na Câmara Federal.
Meu nervosismo apenas começou, após o início da contagem dos votos,
quando percebi que perderíamos...
Que perderíamos nossos direitos de cidadãos,
direitos ditos "garantidos" por nossa constituição.
Realmente perdemos...
A "figura monstruosa" já não se importa em mostrar sua face,
nem tenta mais travestir-se de democracia.
A DITADURA está escancarada.
Não é de hoje que discutimos este tema:
A democracia não existe, tal sistema não passa de um mecanismo,
que tem um poder incrível de metamorfose e se adequa a qualquer situação,
apenas para garantir a continuidade da "ordem social vigente",
manter o "status quo", manter as regalias e privilégios da elite, da classe dominante.
Vivemos, e agora de forma assumida, uma DITADURA DO CAPITALISMO,
apelidada "carinhosamente", pelos donos do poder, de DEMOCRACIA.
Não devemos, não podemos nos esquecer disso:
Esta DEMOCRACIA é uma farsa, nada mais é que uma DITADURA DO CAPITAL.
Fomos derrotados como cidadãos!!!!!!
Ontem com a derrota de José Dirceu, hoje temos PROVAS CABAIS,
aliás coisa que não tinham contra Dirceu,
temos PROVAS CABAIS que nossos direitos constitucionais foram violados.
Temos PROVAS CABAIS de que, pouco a pouco,
perderemos um a um dos nossos direitos constitucionais.
Mas não permitiremos que isto aconteça!!!!
Não é hora pra choro, já chorei demais, a noite inteira.
É hora de LUTA, por nossos direitos constitucionais,
pelos direitos das gerações que virão.
É hora de irmos as ruas.
É hora de cobrarmos AÇÃO de cada pessoa, de cada militante!!!
É hora de cobrarmos que o MST vá as ruas,
É hora de cobrarmos que o Movimento dos sem Moradia vá as ruas,
É hora de cobrarmos que o PCdoB vá as ruas.
É hora de cobrarmos que o PARTIDO DOS TRABALHADORES vá as ruas.
E tem que ser AGORA, JÁ!!!!
Não podemos, não devemos esperar nem um dia sequer!!!!
AGORA É HORA DE PROTESTAR
HORA DE MOSTRAR "QUANTOS SOMOS",
POIS NÃO SOMOS POUCOS!!!
HORA DE MOSTRAR "QUEM SOMOS",
E QUE NÃO DESISTIMOS NUNCA!
É hora de movermos uma ação popular contra
o Congresso para exigir que a constituição seja respeitada!
Aos Senhores Congressistas, Senhores Deputados Federais....
Aí vai um recado da cidadã Lilian Vaz:
Não se enganem, não pensem que o voto secreto os protegerá de nossa FÚRIA como eleitores!
Sabemos quem são os 292 deputados que votaram contra nossos direitos constitucionais,
Sabemos quem são os 292 deputados que votaram a favor da DITADURA DO CAPITALISMO.
Faremos está lista de nomes, respectivos partidos e estados,
que será distribuída por todos os rincões deste país!!!!
Vocês assinaram suas próprias sentenças de morte política.
Quanto a nós, sobreviveremos mais uma vez, como SEMPRE!!!!!
Mas temos que agir JÁ!! Sem demora, sem rodeios e sem medos.
Com toda ALTIVEZ que jamais perderemos,
porque SOMOS SOCIALISTAS,
porque somente o socialismo viabiliza a transformação da sociedade.
porque somente no socialismo EXISTEM, como em Cuba,
sociedades justas e verdadeiramente igualitárias!!!!!
e principalmente porque somos MILITANTES REVOLUCIONÁRIOS!
É hora de sacudir o Povo Brasileiro com nosso GRITO nas RUAS!!!!
Somente nas RUAS conseguiremos acordar nosso povo e nossa militância!!!!!
Estes devem ser nossas primeiras providências após declarada a DITADURA DO CAPITAL
que comanda este país e o mundo:
1. Mover ações populares ou particulares, ou por organizações sociais, ou em grupos
contra o Congresso Nacional
2. Exigir dos Senadores da República que cumpram seu dever.
Que defendam a Constituição Brasileira, o povo Brasileiro e a Democracia Brasileira
3. Listar os 292 deputados traidores da Nação.
A minoria deles tentará se defender dizendo que não temos provas. Mas temos....
Pois devemos exigir que cada deputado declare abertamente seu voto
no caso da cassação de Dirceu.
Somos o POVO, somos o poder máximo, podemos exirgir, temos este direito!!!!
4. Devemos CONCLAMAR todos os Movimentos Sociais,
MST, UNE, UBES, OS SEM MORADIA, OS SEM TETO, OS PARTIDOS
VERDADEIRAMENTE SOCIALISTAS,
E PRINCIPALMENTE O PARTIDO DOS TRABALHADORES, SEUS NOVOS LÍDERES E
SEUS NOVOS MILITANTES,
5. Devemos CONCLAMAR nossos eternos e revolucionários Líderes:
DIRCEU, GENOÍNO. MARTA SUPLICY, ALOÍSIO MERCADANTE, EDUARDO GRINHALG,
GUSHIKEN, PALOCI, DILMA, ALDO REBELO, RENATO REBELO, RUY FALCÃO,
IDELI SALVATI, MARIA DO ROSÁRIO, OLÍVIO DUTRA
E SEUS ETERNOS REVOLUCIONÁRIOS MILITANTES !!!
Fazemos parte deste grupo, e sabemos que com eles podemos contar!
6. Devemos CONCLAMAR todos que lutam pela verdadeira democracia,
FERNANDO MORAES, CONSUELO DE CASTRO, CHICO BUARQUE DE HOLANDA,
ANTONIO ABUJAMRA, WALTER SALLES, MARILENA CHAUÍ,
MARILENE FELINTO, LULA MIRANDA e muitos outros...
7. Devemos CONCLAMAR A TODOS NÓS!!!!!
DEPOIS DE SACUDIR A SOCIEDADE BRASILEIRA,
SERÁ MUITO MAIS FÁCIL INICIARMOS NOSSO PLANO DE
DISTRIBUIÇÃO DE CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO.
SE DEIXARMOS PASSAR ESTE MOMENTO CRUCIAL EM NOSSO PAÍS,
PERDEREMOS O MOMENTO HISTÓRICO,
DURAMENTE CONSTRUÍDO POR TANTOS NA AMÉRICA LATINA,
E POR TANTOS NO BRASIL, COMO DIRCEU.
SE DEIXARMOS PASSAR ESTE MOMENTO CRUCIAL EM NOSSO PAÍS,
PERDEREMOS O MOMENTO HISTÓRICO, DURAMENTE CONSTRUÍDO NA AMÉRICA LATINA,
COLOCAREMOS EM RISCO A ELEIÇÃO DE EVO MORALES,
POIS O "CAMPO" ESTA ABERTO E PROPÍCIO A GOLPES DE ESTADO.
COLOCAREMOS EM RISCO A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA,
COLOCAREMOS EM RISCO A SOCIEDADE CUBANA.
COLOCAREMOS EM RISCO A VIDA DOS 5 PATRIOTAS CUBANOS,
ENCARCERADOS HÁ 8 ANOS, NOS EUA.
E PELOS QUAIS REIVINDICAMOS JUSTIÇA E TRATAMENTO CONSTITUCIONAL NOS EUA.
PARA REIVINDICAR QUE ESTES DIREITOS SEJAM GARANTIDOS A ELES,
TEMOS QUE SABER LUTAR PELOS NOSSOS DIREITOS!!!!!!
À LUTA COMPANHEIROS!!!!!
COMEÇAREMOS HOJE MESMO!!!!
COMEÇAREMOS AGORA!!!!!!
Cada cidadão Brasileiro conta conosco.
Contamos com o apoio e empenho de todos
do Izquierda Unida e dos Apoiadores do Zé Dirceu!!!!!
Indignação é um sentimento geral,
mas já choramos, já vociferamos, já nos sentimos desanimados,
agora vem a vontade de lutar, de partir pra guerra, de agir!
Porque "sentimento de impotência" é coisa para "militantes envergonhados"
MAS NÓS SOMOS COMO JOSÉ DIRCEU!!!!
SOMOS MILITANTES REVOLUCIONÁRIOS!
Lilian Vaz
terça-feira, novembro 29, 2005
Porque os EUA mantém presos os 5 Patriotas Cubanos ?
Quem São eles ?...
Por que estão presos?...
Em 12 de setembro de 1998, o FBI deteve 5 cubanos afirmando que os estava vigiando há quatro anos: Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Fernando González e Antonio Guerrero. Há sete anos, estes cinco jovens permanecem em cárceres de segurança máxima. Têm sido punidos em celas solitárias de confinamento absoluto por 17 meses, lhes foi negado o direito à apelação sob fiança e foi negado a dois deles o direito de serem visitados por seus familiares.
Quais são as acusações contra eles?
Em 8 de junho de 2001, depois de meses de processo e cinco dias de deliberações, um júri formado por 12 pessoas concluiu que “Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Fernando González e Antonio Guerrero colocaram em perigo a segurança dos Estados Unidos”.
Depois de permanecer detidos numa prisão federal de Miami durante 39 meses, os cinco cubanos foram injustamente acusados de crime de espionagem para o governo revolucionário de Cuba e condenados a duras penas de prisão em dezembro de 2001.
A ata da acusação continha 26 cargos independentes, acusando a cada um desses cinco cubanos de crimes específicos. A maior parte eram cargos menores relacionados com o uso de uma identidade falsa. Embora os mais graves - as de espionagem a favor de Cuba e as de assassinato, relacionado com o derrubamento de avionetas norte-americanas em águas pertencentes à jurisdição cubana - tinham a conseqüência de cadeia perpétua, mesmo não sendo registrados como crimes realmente cometidos, mas como “conspirações para a futura realização deles”.
A acusação apresentada contra Gerardo Hernández de “conspiração para cometer assassinato” não tem precedentes na jurisprudência estadunidense. Resultou ser o foco central do processo e tinha a ver com duas avionetas, pertencentes à organização miamense que autodenomina-se “Irmãos ao Resgate”, derrubadas pelas Forças Armadas de Cuba, em 24 de Fevereiro de 1996 ao terem persistido em penetrar o espaço aéreo de Cuba. O líder desse grupo (Irmãos ao Resgate) era José Basulto, terrorista residente em Miami, veterano da época da invasão mercenária á Cuba na Baía dos Porcos, co-autor e realizador, junto com Posada Carriles, do Crime de Barbados onde morreram mais de 70 pessoas inocentes.
A utilização do termo “conspiração” no julgamento desses cinco cubanos eximiu à Procuradoria da necessidade de ter que demonstrar que esses crimes tinham sido realmente cometidos .
“Conspiração” é um termo que classifica o acordo ou “a concordância das vontades” como um delito de crime quando o propósito ou o(s) caminho(s) da realização delas são ilegais. Os procuradores conseguiram controlar (reter) as evidências que o júri tinha o direito de ter acesso. Desta forma, lhes foi negado o acesso à Defesa àqueles materiais que a Procuradoria tinha coletado ao longo da sua investigação, alguns dos quais eram documentos que foram confiscados dos acusados no momento de serem arrestados.
Ao observar que seu caso estava tornando-se um fracasso e se desmoronando, o Procurador, no seu último argumento apresentado ao Júri, apelou à falsa e desprezada retórica do Governo Estadunidense contra os cinco cubanos afirmando, não menos de três vezes, que os acusados vieram à América do Norte “com o objetivo de destruir aos Estados Unidos”.
Qual é a verdade?
Quem são eles?
O que esses cinco cubanos faziam nos EUA?
Estes cinco cubanos – todos eles profissionais, honestos, pessoas cultas, amantes de suas famílias, sociáveis, com uma conduta exemplar em suas comunidades e nos seus lugares de trabalho e dois deles, nascidos nos EUA, cidadãos norte-americanos – estavam protegendo seu país das ações terroristas organizadas, empreendidas e financiadas desde Miami. Estes atos terroristas organizados desde Miami, tinham antecedentes nas invasõese sabotagens contra Cuba, assim como nos atentados contra seus dirigentes e assassinatos de seus diplomatas e outros funcionários oficiais, entre outros. O trabalho desses cinco cubanos foi justamente prevenir essas ações terroristas! Eles se infiltraram dentro de algumas dessas organizações terroristas com sede em Miami para poder alertar tanto ao Governo Cubano quanto às autoridades estadunidenses sobre as ações de terrorismo planejadas por esses grupos.
De fato, os cinco cubanos conseguiram prevenir mais de 170 ações terroristas planejadas por esses grupos terroristas, tendo informado sobre esses planos às autoridades cubanas.
No dia 17 de Junho de 1998 – meses antes do arresto dos cinco cubanos acusados – o Governo de Cuba entregou ao FBI documentos, provas, fotos e outras informações que constituíam evidências sobre planos de assassinatos, atentados com bombas, incêndios pré-meditados e outros ataques contra Cuba planejados, financiados e realizados desde Miami. As autoridades cubanas, pediram ao FBI pôr um termo à impunidade dos terroristas envolvidos, evitando que houvesse mais vítimas. O FBI prometeu ás autoridades cubanas que atuaria em questão de algumas semanas, a partir da data em que lhes foi entregue essa informação em Havana. Mas em vez de arrestar os terroristas envolvidos nessas ações terroristas, o FBI arrestou a fonte da informação: os cinco cubanos anti-terroristas.
Espionagem - com informação pública?...
De acordo com a Lei contra a espionagem dos Estados Unidos, a informação que de forma geral está disponível para o público, não pode constituir base nenhuma para um processo de julgamento por espionagem.
Um dos peritos chaves da acusação, o General James R. Clapper Jr, im homem com 32 anos de experiência no exército dos EUA, especializado em assuntos da inteligência, ex-Diretor da Agência da Inteligência para a Defesa dos EUA, tinha estudado os documentos confiscados dos cinco cubanos acusados e à pergunta de “se tinha encontrado alguma informação segreda da defesa nacional que tivesse sido transmitida à Cuba, respondeu “não, nada que eu pudesse conhecer”. Além deste General, vários outros ex-oficiais de alto nível do exército e da segurança dos EUA fizeram depoimentos declarando que Cuba não representa ameaça militar nenhuma aos EUA e que na base militar de Boca Chica não é possível obter informações de caráter militar.
A Procuradoria só possuía a informação de que um dos cinco cubanos acusados
, Antonio Guerrero, durante cinco anos era trabalhador de manutenção da base de treinamento da Marinha em Boca Chica, no Sul da Flórida. Essa base era totalmente aberta ao público, e inclusive, tinha uma área de observação especial apartada para permitir que as pessoas tirassem fotos sobre os aviões nas pistas de pouso. Por tanto, as informações ás quais Antonio Guerrero tinha acesso, eram absolutamente públicas. Quer dizer; a acusação de espionagem não tem fundamento!
Assassinato? ...
Segundo o Direito Internacional, não constitui crime ou assassinato nenhum que Cuba – ou qualquer outro país - derrube aviões que penetrem seu espaço aéreo sem autorização. Cuba não provocou o incidente do 24 de Fevereiro de 1996 – pelo contrário: tentou evitá-lo, alertando os integrantes da tripulação a não penetrarem no espaço aéreo cubano.
Por esta razão, a juiza decidiu que para condenar o cubano Gerardo Hernández sob essa acusação, a Procuradoria tinha que demonstrar a existência de um plano ou acordo específico para o derrubamento das avionetas deles atingirem o espaço aéreo cubano, ou seja, um plano para derrubá-los ainda em águas internacionais. Caso não conseguissem provar esse argumento, os EUA não teriam jurisdição sobre o caso e a Procuradoria não poderia provar o elemento chave da acusação: queexistia um acordo ou plano qualquer para derrubar as avionetas fora da jurisdição de Cuba, em águas internacionais ou sobre território de “jurisdição marítima o territorial especial”, assim denominado pelos EUA. Os promotores reconheceram que não tinham como provar isso. Mesmo assim, Gerardo Hernández foi condenado a duas cadeias perpétuas, mais 15 anos de prisão; o Júri resolveu ditar condena em tempo record. Na realidade, nem Gerardo Hernández nem os outros quatro cubanos acusados encontravam-se em Miami no momento em que o mencionado incidente ocorreu, e nenhum deles esteve envolvido na transmissão ou execução da ordem de derrubá-las após estas terem ignorado as advertências de não penetrarem dentro do espaço aéreo de Cuba.
Um julgamento absurdo e arbitrário
A Lei dos EUA diz que se alguém atuar para prevenir um ato de mal maior, inclusive se esse alguém violentar a Lei no processo, será justificado qualquer ato criminoso devido ao fato de a sociedade reconhecer a necessidade ou inclusive, o benefício de realizar esta ação.
Desta forma, aqueles entre os cinco acusados que usaram nomes falsos, reconheceram a acusaçãode uso de identidades falsas e o fato de não terem se registrado como agentes estrangeiros. Eles argumentaram que todos os 26 cargos contra eles tinham que ser justificados sob a doutrina da necessidade, pelo fato de terem usado suas identidades falsas paraimpedir um prejuízo maior – neste caso específico: a realização de atos de violência contra o seu país.
Apesar de ter apresentado 35 documentos que provavam o fato da ameaça que a rede terrorista de Miami representava, essa apelação foi recusada pela Corte.
Em 2003, os advogados da defesa apresentaram os seguintes argumentos na apelação da condena perante o Onceno Circuito do Tribunal de Apelações de Atlanta:
- Aos acusados lhes foi negada a possibilidade de serem julgados em um processo justo, pelo do julgamento ocorrerjustamente em Miami, sede imprópria por causa de sua parcialidade política, devido às tendências anti-cubanas lá concentradas.
- A conspiração para cometer espionagem não foi provada, além de haver dúvida razoável.
- O cargo de conspiração para cometer assassinato, no caso do cubano Gerardo Hernández, não só não foi demonstrada, mas essa acusação não tem precedente no direito estadunidense, pelo fato de que o derrubamento dos aviões foi um ato de um país protegendo sua soberania, seu território e seu povo.
- As sentencias foram excessivas e os procedimentos segredos invocados pelo Governo dos EUA e a condução do julgamento foram violações fundamentais da própria Constituição dos Estados Unidos.
- Qualquer ação realizada pelos cinco acusados, todas realizadas sem uso de armas, e relacionadas com uma suposta ação de espionagem, é justificada pela Doutrina da Necessidade, por tanto, os acusados são perdoáveis segundo os termos do Direito.
No día 29 de Setembro de 2003, o Governo dos EUA apresentó sua resposta aos documentos de apelação apresentados pelos cinco cubanos acusados. A defesa apresentou sua réplica escrita no día 17 de Novembro do mesmo ano. A comparecência defesa oral aconteceu no día 10 de Março de 2004 em Miami, Flórida , perante três juízes do Tribunal de Apelações do Décimo Primeiro Circuito.
No dia 9 de Agosto de 2005, os três magistrados que receberamo caso dos cinco cubanos, fizeram pública sua decisão , determinando por unanimidade a anulação do processo anterior, revocando as condenas e ordenaram um novo julgamento.
O Tribunal reconheceu o direito dos cinco cubanos a serem julgados em uma atmósfera não hostil e a terem um julgamento justo de acordo com os termos da própria Constituição dos EUA. Esse Tribunal declarou, entre outras coisas, que a nova evidência que sustentou a moção apresentada pela Defesa em Novembro de 2002 solicitando um novo processo, era de tal natureza que um novo processo lógicamente produziria um resultado diferente.
A Corte de Atlanta marcou para fevereiro de 2006 a audiência oral do processo de apelação interposto pela Promotoria perante essa instância judicial. Como algo extraordinario, o Plenário composto por seus 12 juízes vai reconsiderar o veredicto unânime do dia 9 de Agosto de 2005 a qual deixou sem vigor o processo efetuado em contra os cinco cubanos anti-terroristas en Miami, bem como as sentências que lhes foram impostas.
Agora, depois de ser invalidado o julgamento, não há justificativa para eles permanecerem na cadeia. Esta arbitrária situação, tão prejudicial para eles e seus familiares, não pode continuar.
Há sete anos, estes cinco jovens permanecem em cárceres de segurança máxima. Têm sido punidos em celas solitárias por longo espaço de tempo e foi negado a dois deles o direito de serem visitados por seus familiares. O encarceramento já tinha sido declarado ilegal pelo Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Liberdade já aos Cinco Cubanos anti-terroristas!
quarta-feira, novembro 23, 2005
Izquierda Unida presente ao ato em Brasília
Como relatado pelo(a)s companheiro(a)s que participaram dos atos nas outras cidades, foi emocionante. Só que aqui, como já se podia esperar, a platéia era quase toda "chapa branca". Foi difícil compor a mesa, tanta estrela estava presente. Mas o momento mais emocionante foi a chegada e a fala do Vice-Presidente. Ele já havia ligado e mandado recado dizendo que iria, mas sabe como é, né, um monte de outros tb ligaram, mandaram msg e talz...
Estavam na mesa, entre outros os Deps Distritais Chico Vigilante, Érika Kokay e Chico Floresta, Sen Fátima Cleide, Dep Carlos Abicalil, Dep Arlindo Chinaglia, Min Patrus Ananias, Min Jacques Wagner... tinha mais gente mas não lembro os nomes. Tinha muita direção de sindicato (bancários, saúde, etc). Além da fala "popular" do Vice (que faltou falar que quer se filiar ao PT, reconheceu que ele só é vice pq as pessoas votaram no Lula, etc, etc), gostei muito da fala do Min Jacques Wagner, pq ele frisou muito o fato de fazer a defesa do mandato de JD é defender o estado de direito, e fundamentou muito bem seu argumento.
Há um documento que foi distribuído lá, cujo título é "13 manipulações no processo JD", e que eu pedi para ser scanneado pra gente distribuir por email, muito bom para a fundamentação da defesa do mandato. MUNIÇÃO, gente, é do que precisamos!
Bom, seguem as fotos, claro!
saudações a tod@s.
Valéria
Ato de Apoio ao Zé Dirceu em Brasília
(distribuída por Adauto Melo)
Sindicalistas e parlamentares distritais e federais atenderam o chamamento do presidente do PT do Distrito Federal e lotaram o auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), nesta terça-feira (22), em Brasília, na manifestação de apoio ao deputado José Dirceu (PT-SP). O ex-ministro, ameaçado de cassação sob acusação de suposta quebra de decoro parlamentar, foi aplaudido de pé e acolhido pelos companheiros e amigos ao som de frases como “Dirceu, amigo, o povo está contigo” e “Dirceu, guerrilheiro do povo brasileiro”.
O presidente do PT-DF, Chico Vigilante, defendeu o amigo e correligionário como “um homem que dedicou a vida às causas democráticas”. E, após a formação da mesa, ao chamá-lo para tomar assento, disse que Dirceu é “um homem que respeitamos, admiramos e amamos”. Sidney Liberal, do PCdoB-DF, representou o Partido Comunista do Brasil na manifestação.
Ao microfone, se rev ezaram parlamentares e líderes sindicais, que pautaram as falas em defesa de Dirceu e do governo Lula e denunciaram as articulações da oposição para voltar ao poder. Um grupo de sindicalistas divulgou, nesta terça-feira, um manifesto de apoio ao ex-ministro (veja íntegra do documento).
O deputado petista agradeceu a manifestação e mais uma vez reafirmou a disposição de lutar, baseada na convicção de sua inocência. Disse ainda que não existem provas contra ele, o que caracteriza que está sofrendo um processo político.
De Brasília,
Márcia Xavier
Não à anexação
Isso mostra que os EUA não anexarão assim tão fácil a América Latina, ao contrário do que os grandes "analistas" nos fazem crer na imprensa
Vejam a notícia
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/valor/2005/11/23/ult1913u41470.jhtm
Izquierda Unida
Venezuela ajuda pobres dos EUA
A Venezuela mostra, mais uma vez, o caminho para uma unidade latino-americana.
Izquierda Unida!!!!!
http://noticias.uol.com.br/bbc/2005/11/23/ult36u40231.jhtm
terça-feira, novembro 22, 2005
Apoio ao Zé Dirceu em São Paulo
Um de seus membros, o Andre Lux postou uma notícia aqui: http://tudo-em-cima.blogspot.com
Quem esteve lá garante que foi muito emocionante e é por momentos como esse que vale a pena continuar sonhando com uma América Latina livre e uma "Izquierda Unida"
Vamos à luta!!!!!!
Se Caixa 2 valesse Cassação, quem sobraria?
Esses, são os caras que querem cassar Zé Dirceu.
Membros do Conselho de Ética prestam contas de ficção ao TSE
Rizardo Izar, presidente do Conselho, declarou ao TSE ter gasto apenas R$ 213.909,83 para se eleger deputado federal por São Paulo, Estado onde a eleição é caríssima
Estamos publicando nesta edição a tabela com aprestação de contas das campanhas eleitorais dos integrantes do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ao Tribunal Superior Eleitoral, nas últimas eleições parlamentares realizadas no país. O leitor poderá observar, no quadro ao lado, o impressionante mundo de fantasia que são os valores declarados à Justiça. Esses números mostram o quão desmoralizado é o sistema de financiamento, e também o de prestação de contas, das campanhas eleitorais brasileiras.
ABSURDO
Por exemplo, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar, eleito pelo Estado em que as eleições são mais caras em todo o país. Pois, amigo leitor, ele declarou que gastou R$ 213.909,83 para se eleger deputado federal pelo Estado de São Paulo. No atual sistema, cheio de marketeiros e outras aberrações, todo mundo sabe que essa quantia não elege nem vereador de pequena cidade do interior desse Estado. No entanto, Izar declarou essa quantia e ninguém até hoje reclamou, apesar do evidente absurdo. Por quê?
Porque Izar está longe de ser um caso isolado. Vejamos o relator do processo contra o ex-ministro José Dirceu, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que vive a deblaterar contra os colegas em nome da moralidade pública: pois ele informou ao TSE que seus gastos não passaram de R$ 129.686,70 para se eleger pelo vastíssimo Estado de Minas Gerais – também um dos Estados onde a campanha é mais cara e concorrida. Sim, amigo leitor, é o TSE que informa: Delgado declarou que gastou apenas um pouco mais de R$ 100 mil para se eleger deputado federal! E por Minas Gerais! Incrível é que os céus, por vergonha, não tenham desabado sobre a terra depois de tal prestação de contas.
Porém, existe coisa pior. Veja-se a intimorata deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), enérgica e sonora representante do eleitorado tucano paulista, sempre a vituperar a suposta desonestidade dos outros e a chamá-los de “bandidos” e até de “bandidões”. Pois a bravíssima Zulaiê declarou ao TSE que gastou meros R$ 112.433,41 – menos ainda do que Delgado – para se eleger em meio às endinheiradas outras cobras e lagartos que são os seus concorrentes, sobretudo aqueles de seu próprio partido. Não há dúvida, trata-se de um milagre de parcimônia e austeridade. Em meio aos rios de dinheiro que correm na eleição paulista, Zulaiê teve que desembolsar – e arrecadar – apenas R$ 112 mil! Pelo menos, mulher de palavra que é, foi o que declarou ao TSE. Quem duvidaria de tão transparente criatura? No entanto, é provável que nem Jesus Cristo conseguisse tal feito, apesar de ser filho de Deus e de ter conseguido até mesmo ressuscitar...
Mas o combativíssimo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), oráculo do socialismo e da revolução proletária e defensor, junto com o deputado Abi-Ackel, da moral e dos bons costumes, conseguiu milagre maior ainda. Aliás, mostrou mais uma insuperável qualidade: a de não enrubescer ao declarar que gastou, no Rio de Janeiro, que disputa com Minas o troféu de segunda eleição mais cara do país, apenas R$ 65.150,09. Sim, caros leitores, o deputado Alencar declarou que gastou R$ 65 mil em sua eleição e não consta que sua cútis tenha ficado nem ao menos rósea, o que deve ser mais uma demonstração de suas proletárias virtudes, com certeza.
O que não é possível é que o país continue a conviver com essa hipocrisia. Qualquer um sabe que uma campanha para deputado federal nos grandes estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e mesmo nos Estados menores, custa várias e várias vezes mais do que esses valores que hoje divulgamos. Esta tabela é a confirmação cabal de que o atual sistema eleitoral brasileiro, como ele está organizado, é um sistema falido, desmoralizado e sem sentido. As suas prestações de contas não passam de peças de ficção – a começar por aqueles que se arvoram em juízes dos seus colegas, e os acusam por terem praticado exatamente a mesma coisa que eles.
Urge que se enfrente de forma séria e responsável esta situação. E mudá-la só é possível com a aprovação de uma reforma política e eleitoral que implante o financiamento público das campanhas, acabe com a marketagem nababesca e com o reino das pesquisas tão enganosas quanto mercenárias. Fora isso, é puro cinismo. Num quadro como o atual, punir alguns parlamentares pelo suposto uso de caixa 2, como querem setores venais da mídia – são sempre os mais venais que querem executar ao grito de que outros são “corruptos” – seria a falência moral do Congresso Nacional. Ou se resolve o problema, que é estrutural, que é do próprio sistema atual, ou o Congresso estará transformado, publicamente, à vista de todos, num antro de fariseus.
As invencionices de Roberto Jefferson sobre uma suposta compra de votos, o folclórico mensalão, foram desmentidas por todas as investigações. O próprio Jefferson foi cassado exatamente por ter mentido a esse respeito. O que restou mesmo foi somente a discussão sobre os expedientes de caixa 2 praticados nas eleições. É por isso que deputados estão sendo acusados, e por nada mais. É por isso que o Conselho de Ética – esse bastião da moralidade parlamentar – quer cassar fulano e beltrano. Na verdade, pela prestação de contas desses deputados não coincidir com o dinheiro que gastaram realmente. Mais acima, falamos que nem Cristo conseguiria o que alguns membros do Conselho conseguiram – eleger-se com tão pouco dinheiro. Aqui, cabe lembrar o caso da adúltera: que atire a primeira pedra quem apresentou prestação de contas verdadeira ao TSE. Também como no caso da adúltera, só os fariseus são capazes de ato tão nojento.
O fato é que depois de mais de cinco meses de prolongadas investigações realizadas pelas três CPIs, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União, o que ficou comprovado é que houve caixa 2 envolvendo a maioria dos parlamentares acusados. Só isso e nada mais. O que, realmente, basta olhar as prestações de contas ao TSE, não era nenhuma novidade.
REFORMA
Certamente é possível corrigir isso. E não é executando parlamentares para supostamente esconder os próprios atos, pois estes atos ficarão irremediavelmente expostos, com o agravante da infâmia. O que é necessário é aprovar uma reforma político-eleitoral que acabe com uma hipocrisia que não resiste a um simples olhar na prestação de contas ao TSE dos próprios membros do Conselho de Ética.
JORNAL HORA DO POVO - Sergio Cruz
Ato em Defesa de José Dirceu - BH
Contribuição da companheira do Izquierda Unida, a Hilda
Caro amigo e companheiro José Dirceu
Amigo de muitos sonhos, de muitas lutas,
E de muitas conquistas vividas e de outras que, com certeza, ainda virão.
Nós, mineiros - como você-
Lutadores sociais, que sempre respiramos a indignação com a miséria, com o
desrespeito aos
direito elementarees dos seres humanos, que sempre lutamos pelas liberdades
democráticas, pelo direito de ir e vir, pela vida, pela justiça, por uma
pátria livre, justa, igual, fraterna,
estamos igualmente indignados com o massacre leviano e sem provas, com que
querem linchar o Governo Lula, a começar por você.
Podemos ter cometido erros, e certamente o cometemos, pois só não erra quem
não ousas viver, agir, ser. Mas, certamente em nossos erros não consta
nunca, o de:
__ VENDER O BRASIL,
__ VENDER O POVO BRASILEIRO,
__ ENTREGAR NOSSAS RIQUEZAS A PREÇO DE BANANA
__ NOS ENRIQUECERMOS COM O DINHEIRO DO POVO;
Nenhum prova eles têm ou terão contra você.
Se te cassarem, e não conseguirão fazê-lo, estariam promovendo um
verdadeiro linchamento político.
Os vendilhões da Pátria estão desesperadamente em ação, tentando pisar nos
mais elementares princípios do direito, querendo calar a sua voz, cassando
seus direito políticos.
Zé, ninguém fará calar a voz dos que lutam, dos que sonham, dos que
constroem o Brasil da Liberdade.
Zé, vc é cada um de nós,
Zé, cada de um de nós é você!
Estamos e estaremos sempre juntos! A história é nossa companheira!
sexta-feira, novembro 18, 2005
Zulaiê Cobra e a quebra de decoro
http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1118/1118_zulaie-cobra.asp
Qualquer um pode dizer o que quiser, sem apresentar provas, nem nada? Abusando da imunidade parlamentar?
Podemos, então, falar o que quisermos dela aqui?
Ato em Apoio ao Zé Dirceu
http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1118/1118_dirceu_ato.asp
Hoje, 18/11, em São Paulo!!!!!!!!
Ao contrário do que diz a mídia (notadamente o Josias de Souza no seu blog do Partido da Imprensa Reacionária), a esquerda latino-americana está unida em apoio a um dos seus líderes e contra a arbitrariedade de uma condenação sem provas
Mais informações e apoio em:
Grupo de Apoiadores do José Dirceu
http://br.groups.yahoo.com/group/apoiadores-dozedirceu
Quem ainda não se cadastrou no Grupo de apoiadores do Zé Dirceu,
por favor se cadastre!!!!
Abaixo-Assinado
http://www.dalva.oliveira.nom.br
Quem ainda não assinou, por favor assine!!!!
Visitem também o Site dos Amigos do Zé
http://www.amigosdozedirceu.weblogger.com.br
Quem ainda não visitou, por favor visite e deixe uma mensagem.
quarta-feira, novembro 16, 2005
IZQUIERDA UNIDA : QUEM SOMOS
Hoje somos um grupo com mais de 60 participantes e de todos os lugares do Brasil.
Somos socialistas, apoiamos veementemente o governo Lula, acreditamos e lutamos pela união de nossa América-Latina.
Estamos com todos que lutam pela igualdade social neste continente vilipendiado pelo autoritarismo estadunidense.
Apostamos no governo Lula, no socialismo de Fidel, no governo Bolivariano de Chávez, em Tabaré Vasquez, em Evo Morales,
e em todos governos de esquerda que certamente virão.
A América-Latina está amadurecendo e aprendendo a lutar pelo seu povo.
Nosso ideal:
A união das Esquerdas para viabilizar as transformações de nossa sociedade.
Lutamos por uma sociedade mais justa, igualitária, solidária, corajosa e
SEM MEDO DE SER FELIZ!!!!
Temos obrigação de lutar contra a conspiração midiática, imposta pelo sistema neo-liberal,
que tenta a todo custo, manipular informações, opiniões e desvirtuar realidades.
Isto é responsabilidade de todos!!!!! Precisamos nos unir, não somos marionetes!!!!
Devemos rejeitar o que aí está hoje: uma falsa democracia, uma ditadura do capitalismo,
que dispõe de poderosos mecanismos, como a mídia grande, para mudar as regras quando sentem-se ameaçados.
Usam a "democracia" apenas para garantir que não haja transformação da sociedade, para garantir que a continuidade do "status quo".
A questão vital a ser debatida é o excesso de poder da mídia, e a quem ela serve.
Nossa proposta é questionar, debater, buscar a verdade dos fatos, alertar, informar a sociedade,
enfim, convocar cada cidadão a pensar e agir com responsabilidade social.
Nossa intenção é difundir informações através de pequenos grupos,
nossos vizinhos e amigos, nossos familiares, nossos alunos, nossos colegas de trabalho,
comunidades de bairro, comunidades virtuais, cada cidadão ao nosso alcance;
e através de filmes, documentários, palestras, leituras de material jornalístico,
abrirmos espaço para discussões, debates e reflexões sobre o sistema político e social em que vivemos
e o que podemos fazer para garantir as mudanças necessárias a construção de um mundo mais justo e igualitário.
IZQUIERDA UNIDA APÓIA E ADMIRA JOSÉ DIRCEU
NÃO ADMITIREMOS INJUSTIÇA e ARBITRARIEDADE!
Devemos nos unir, temos obrigação de lutar contra esta conspiração golpista !!!
O Presidente Lula, José Dirceu e o Governo do PT não estão sós!!!!!
Dirceu é o principal alvo da direita golpista!!! Não à toa!!!
Dirceu é o principal responsável por termos chegado ao poder.Foi o grande idealizador e construtor da candidatura e da eleição de nosso Presidente.Nosso Lula, que é o próprio Brasil, que é o verdadeiro representante do povo Brasileiro.Dirceu nunca será perdoado por todos aqueles que invejam sua coragem,
sua obstinação, sua tenacidade, seus ideais e sua segurança!!!!A coragem dos justos e dos verdadeiros revolucionários.
Dirceu não precisa de defesa. Bastam os fatos.
VOCÊ NÃO PRECISA GOSTAR DO DIRCEU.
VOCÊ NÃO PRECISA, NEM AO MENOS, ACREDITAR NA INOCÊNCIA DELE.
MAS, VOCÊ É OBRIGADO A ZELAR PELA DEMOCRACIA E PELA JUSTIÇA BRASILEIRA.
CASSAR O MANDATO DO DIRCEU SEM PROVAS CONCLUSIVAS É UMA AFRONTA
AO ESTADO DE DIREITO E AO POVO QUE O ELEGEU COM 550.553 VOTOS.
A NAÇÃO BRASILEIRA NÃO PERDOARÁ ISTO.
PELA DEMOCRACIA, PELA JUSTIÇA E PELA ÉTICA
sexta-feira, novembro 11, 2005
O Judiciário e a Ameaça Venezuelana
O Judiciário brasileiro e a ameaça 'venezuelana'
Wanderley Guilherme dos Santos
Cientista político
A direita brasileira tomou ares de direita venezuelana. Depois de re-introduzir, com sucesso, o radicalismo de facção nos colegiados parlamentares, começa a desafiar o Poder Judiciário e a provocar fisicamente os adversários. Foram poucas as vezes em que indiciados nos processos parlamentares em curso apelaram às cortes, assustados pela incontinência verbal da oposição e pela audácia da crônica golpista, que pretendem vedar-lhes, mais que real direito de defesa, a possibilidade de que sejam inocentes. A paralisia do Partido dos Trabalhadores, principal alvo da truculência oposicionista, estimulou a multiplicação de denúncias irresponsáveis e a crescente vulgaridade de gestos e palavras com que se manifesta. É inegável que, comprovada e confessadamente, delitos eleitorais foram cometidos por todos os grandes partidos, alguns médios, e outros pequenos. Está provado que empresas para as quais as campanhas eleitorais são grandes negócios, cometeram crimes tributários e fiscais, transferindo montanhas de dinheiro para bancos no exterior. Finalmente, há fortes indícios de que, sob pretexto de utilização de caixa dois, deputados individuais desviaram parte dos recursos para fins privados.
Tudo somado, temos aí suculento catálogo de malfeitorias a serem elucidadas e punidas. Longe, entretanto, do enredo que a dupla PSDB/PFL, acumpliciada com a imprensa de oposição, quis enfiar a toque de caixa pelo esôfago da opinião pública. A tese de que os ilícitos descobertos só correspondiam a parcela de um grande plano de saque dos recursos públicos, executado por lideranças do PT, foi perdendo credibilidade à medida que, passado o choque inicial, as bombásticas chamadas do noticiário televisivo e as letras garrafais das manchetes dos jornais fracassavam em entregar o que prometiam. Não, não é verdade que a utilização de caixa dois tenha sido inventada ou monopolizada pelo PT. Reconhecer a ilegalidade não equivale a justificá-la, e sério tratamento da matéria deve comparar a legislação à realidade da disputa eleitoral, apurando a extensão em que regras nefelibatas contribuem para aumentar a sedução do ilícito. Por isso o PSDB e o PFL acabaram por entrar na roda, consumidores por igual do pecado clandestino. Também desmorona a fábula de que existiria um sistema de desvio de fundos que, à semelhança das antigas divisões do SNI, estaria implantado nas empresas estatais. Atenção: o total de falsos anúncios de falcatruas, divulgados pelos relatores e sub-relatores já é, hoje, provavelmente, superior ao número de mentiras efetivamente comprovadas nos depoimentos de Marcos Valério. As quinzenais promessas de relatórios comprometedores continuam vãs.
A incapacidade de emprestar verossimilhança ao que se revela, a cada alucinada denúncia, como uma farsa, construída ao longo do empenho em interpretá-la, vem enervando a oposição, que teme as conseqüências eleitorais do golpe fracassado. Torna-se evidente que as CPIs tem andado acuadas por ocasional maioria constituída por mal educados histriões. Os mesmos que, apoiados pela infantilidade da esquerda ressentida, pretendem impor um desafio venezuelano ao Judiciário. Na verdade, o Judiciário vem sendo tímido no restabelecimento das normas processuais estabelecidas em lei. Os direitos devem ser mantidos íntegros quanto mais graves forem as acusações aos indivíduos indiciados, ao contrário da tese predominante nas comissões e colegiados de que julgamentos políticos podem se dar ao desfrute da selvageria sem satisfação a ninguém. Ao contrário, a transferência da soberania popular implícita na concessão de um mandato político é ato que instaura regras de civilidade na administração de conflitos, não significando nunca a expedição de alvará para a inauguração de volúveis e subjetivos patíbulos.
Quando a exaltação política se reduzir, vídeos e documentos da presente época atestarão o surrealismo de relatórios de Comissão de Inquérito em que, mediante pelo menos uma demonstrável mentira e orações sem sujeito, pede-se a cassação dos mandatos de parlamentares sobre alguns dos quais, inclusive, o relatório afirma não existirem nem mesmo indícios de culpabilidade. Denúncias vazias são posteriormente, citadas como juízos passados em julgado, da mesma maneira que suicídios de pacientes são depois computados como casos comprobatórios da sólida experiência de psicanalistas. Senadores anciãos sublevam-se contra decisões do Judiciário e tentam transformar o Legislativo em tribunal de última instância de si próprio. Deputados encarregados de avaliar a credibilidade de denúncias contra membros do Legislativo interpretam de forma inábil, diante de câmeras de televisão, textos de que, conforme parece, não foram os autores. Daí a teatralização canhestra, pausas fora de lugar, ênfases burlescas e a indignação nada convincente, macaqueando a opinião impressa e bajulando a pública.
Contradições e ridículos históricos são seguros indicadores da prevalência de tais equívocos. Por exemplo: o pedido de cassação do mandato do deputado José Dirceu por ser o organizador de um crime ? o mensalão ?, cuja inexistência foi motivo suficiente para o afastamento de quem o proclamou, o ex-deputado Roberto Jefferson. Ou seja, o ilícito do mensalão ora não existiu, para que, de consciência limpa, se faça a condenação de um parlamentar, e ora existiu, para que se penalize da mesma maneira um outro parlamentar. Custo a crer que o deputado José Dirceu ignorasse que o PT recorria ao caixa dois. Mas não é impossível que não estivesse ciente de sua administração específica. Cabe às CPIs esclarecerem o assunto conforme a processualística em vigor e julgá-lo também segundo as normas vigentes. Qualquer desvio em direção à excepcionalidade afronta a Constituição e, se solicitado, o Superior Tribunal Federal tem a obrigação de repor as coisas e gentes em seus devidos lugares constitucionais. Os histriões parlamentares não têm autonomia para serem tirânicos. Serão, quando muito, arrivistas "venezuelanos".
Em outro exemplo de peça pregada aos incautos pelo tempo, é bem provável que aquela pobre deputada do PSDB de Goiás, Raquel Teixeira, depois de haver servido aos propósitos facciosos da CPI, venha a perder o mandato por ter mentido a respeito do agora inocentado deputado Sandro Mabel (PL-GO). O único elemento de prova, dado como suficiente para sugerir a pena radical de cassação de mandato, era a palavra de um par. E a mesma leviandade de juízo vem sendo exercida em relação a outros acusados, contra os quais não existe senão a palavra de terceiros. O colégio da Câmara aceita ou não a "evidência" conforme a distribuição de suas simpatias e, assim, depoentes, relatores e juízes acabam se revelando, em um ou outro momento, igualmente arbitrários. O Legislativo comporta-se autocraticamente, declarando que é justo e conforme o direito o que vier a declarar como tal. Esse comportamento viola a doutrina que sustenta a existência de direitos anteriores às leis positivas e que não podem ser maculados por estas. Basta perguntar a John Locke. O histrionismo eleitoral da oposição está conduzindo o Congresso, por ações e omissões, a um conflito de tipo venezuelano. O motivo propagandístico de atribuir ao presidente Luiz Inácio tendências "chavistas", tal como inventava a mesma mídia, há exatos 50 anos, que os comunistas queriam tomar o poder junto com JK, arrisca se converter, assim como antes, na cobertura do golpismo. O obstáculo, hoje, é o Judiciário.
Partido da Imprensa
Propaganda política do PFL flopa
Lula deve agradecer aos céus pela propaganda política do PFL, que acaba de ser transmitida em rede nacional de TV. Pobre do ponto de vista técnico, cheia de museus políticos (Pratini de Morais!!), o comercial de 20 longos minutos foi tudo menos empolgante. Os pefelistas tentaram bater em quase tudo e ficaram sem foco.
Parte do programa foi com críticas à política econômica. OK, os juros estão altos, o país poderia crescer mais etc. Ocorre que o Brasil terá neste ano um crescimento acima de 3% (já sobre os quase 5% do ano passado). Além disso, a balança comercial bate recorde atrás de recorde. E a inflação está baixa. Desde 1950 esses três indicadores eram tão bons ao mesmo tempo.
Não tem jeito. O Brasil não tem partido de direita de verdade. O PFL tem vergonha de assumir. Assim, fica fácil para o PT.
E o meu comentário:
Essa foi boa, hein!!!!
O jornalista se lamentando que "assim fica fácil para o PT". Depois se queixam que o Lula fala mal da imprensa.
Se não temos partidos de direita (na opinião do blogueiro, porque PFL, PMDB, PSDB, PP, PTB, PL, PPS, PRONA, PV-SP, partido do bispo, etc,são claramente de direita), o PI (PArtido da Imprensa) mostra sua face a cada dia. E não é a face esquerda...
quinta-feira, novembro 10, 2005
E a Veja, agora, como é que fica?
"O economista Vladimir Poleto, que foi assessor de Antonio Palocci quando este era prefeito de Ribeirão Preto, desmentiu hoje, durante depoimento à CPI dos Bingos, a matéria publicada pela revista Veja que o acusa de ter transportado milhões de dólares doados pelo governo cubano à campanha do presidente Lula em 2002. Ele afirmou que foi coagido pelo autor da reportagem, jornalista Policarpo Júnior, e que estaria alcoolizado no momento da gravação da entrevista. "
Materia completa: Clique Aqui
É brincadeira essa revista?
Caixa 2 Tucano - agora o Serra
Se vasculhar bem, vão achar caixa 2 em tudo que é campanha.
Vamos pedir a cassação do registro do PSDB?
http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2005/11/10/ult1928u1643.jhtm
quarta-feira, novembro 09, 2005
Sandro Mabel absolvido
Por um lado é bom, pois o Dirceu também estaria no mesmo caso, ou seja, sem provas contra ele, exceto as famigeradas "provas testemunhais".
Resumindo: provas testemunhais não são suficientes para cassação. Mais um argumento a favor do Zé Dirceu.
A má notícia é que, realmente, Sandro Mabel não é flor que se cheire e se ele fosse cassado, não faria falta. Mas o estado de direito democrático garante o mandato dele.
Agora eu pergunto: e a deputada tucana que o acusou? Sem provas!!!!!!! Isso não seria quebra de decoro????????
Vejam o link da notícia no (argh) Uol
http://noticias.uol.com.br/ultnot/crise/ultimas/2005/11/09/ult3160u139.jhtm
segunda-feira, novembro 07, 2005
A imprensa
Se isso for verdade (e parece que é), é duro viver num país (ou melhor, num mundo) desses, não é?
Ganhar a eleição é o mais fácil. O duro é levar...
Quem não quiser ler tudo, leia o que está negritado
Como se constroem as notícias
Marina Amaral (*)
Íntegra da reportagem publicada na edição especial "Corrupção", da revista Caros Amigos (http://carosamigos.terra.com.br/) – gentilmente enviada ao OI pela autora; texto citado no programa Observatório da Imprensa na TV (nº 349, 18/10/05) pela professora Marilena Chaui, em sua análise sobre os processos de construção da notícia.
Bairro de elite de uma grande cidade brasileira. Convite para almoço. O apartamento, decorado com obras de arte verdadeiras, é sofisticado e aconchegante, como a mesa farta a cargo da cozinheira com muitos anos de casa. A conversa não fica atrás: o assunto é política, temperada com sexo, dinheiro, negócios escusos, traição. Basta lançar o nome de um rico ou poderoso no ar e a ficha vem no ato: "Fulano? Esse começou a vida em tal lugar etc. e tal".
Nosso homem respira e transpira informação. "Tudo em off", ele avisa no começo da conversa, condição de sobrevivência para o tipo de trabalho que faz. Sua especialidade: "Gerenciador de crises, assessor de imprensa, lobista", diz, o que na prática significa produzir notícias do interesse de seus clientes, políticos e empresários (às vezes representados por escritórios de advocacia ou agências de publicidade) que buscam projeção ou reversão de prejuízos causados por denúncias na mídia.
"A informação é a moeda de troca"
Ele explica que a função do lobista que atua na imprensa é influenciar jornalistas à imagem e semelhança dos lobistas contratados para trabalhar no Congresso, esses com a missão de "sensibilizar" parlamentares. Também há pontos comuns entre seu trabalho e o do assessor de imprensa convencional, a principal diferença está no modo como atua: em vez de mandar releases e disparar telefonemas burocráticos, o lobista da comunicação se converte em "fonte" dos jornalistas, oferecendo notícias, dando a "ficha" de personalidades emergentes na imprensa, repassando as últimas sobre o assunto em voga.
A reputação de homem bem-informado que sempre tem algo a oferecer aos jornalistas é a alma do negócio.
"Toda fonte é lobista e todo lobby envolve dinheiro", afirma, referindo-se aos que, como ele, são consultados diariamente pelos jornalistas e colunistas em busca de novidade. "A fonte passa informações porque é a melhor maneira de interferir nas notícias, esteja ela a serviço dos interesses de seus clientes ou de seus próprios negócios. Os maiores lobistas são os políticos. Os senadores Jorge Bornhausen e Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, que estão entre as grandes fontes dos jornalistas políticos brasileiros, têm interesses empresariais, não apenas políticos. O Bornhausen é lobista da Febraban, o ACM defende suas empreiteiras, suas construtoras."
"E os jornalistas confiam no que eles dizem?" Ele dá sua explicação: "A informação é a moeda de troca com o jornalista. A fonte não pode mentir nem passar notícias não comprovadas sem deixar claro que não tem certeza do que está dizendo, e o jornalista jamais pode revelar a fonte. É uma relação de confiança mútua. Há coisas que não há como checar, uma pista falsa pode atrasar muito uma matéria, têm de confiar e pronto. E eles conhecem os interesses das fontes, publicam também os assuntos que sugerimos. Mas não há nada de errado nisso, porque as fontes com credibilidade passam informações verdadeiras e que realmente são notícia. O lobista, como o jornalista, tem a vertigem da notícia". "Sempre é assim?", insisto. Ele responde: "Todo jornalista um dia vai ouvir da fonte: ‘Eu preciso que você me faça um favor’. Isso significa que a fonte precisa "plantar" uma nota, que pode ser uma meia-verdade ou quase uma inverdade, e aí cabe ao jornalista decidir o que faz".
CPI é que nem suruba" 26/10/2005 05:10
maioria dos lobistas trabalha em parceria com as colunas de política de Brasília, de gente como o ex-secretário de Comunicação de Collor, o jornalista Cláudio Humberto, ou ex-publicitários como Ucho Haddad e Giba Um. Aqueles que têm maior "sintonia" com a fonte recebem de presente as notas mais quentes, aquelas que antecipam escândalos e dão peso às colunas, que atuam na fronteira entre o boato e a informação. Algumas são escritas em linguagem cifrada com o objetivo de "avisar" políticos e empresários de que tem gente na "cola" deles, o que quase sempre significa emprego para mais um lobista, encarregado de "desaparecer" com a informação antes que ela ganhe as colunas políticas e sociais dos jornais, de maior credibilidade.
"Eu leio jornal e sei direitinho quem está trabalhando pra quem, quem está ‘plantando’ contra quem. Um dos piores erros do PT foi a plantação de notícias de um dirigente contra outro, abriram o flanco para a mídia, acreditaram que tinham na mão gente que eles não controlam de fato", diz nosso homem, que incluiu também a Internet entre suas ferramentas de trabalho. Todos os dias, ele envia e-mails com informações que favorecem seus clientes a 90.000 endereços usando remetentes frios e provedores de fora do Brasil. "E isso funciona?" "Faz um barulho danado", ele responde, explicando que compensa a falta de credibilidade do anonimato postando apenas "as matérias que já consegui publicar em veículos respeitados".
Enquanto conversamos, o celular toca sem parar. Colunistas políticos, repórteres da grande imprensa, clientes ou amigos interessados no desenrolar do escândalo do "mensalão" são recebidos com a piada sobre os três ternos que o vice Alencar mandou fazer (um preto, para o caso de suicídio do presidente, um azul-marinho, para posse, e um cinza, para o primeiro dia de trabalho). Aos colunistas, ele passa notas quase prontas; aos repórteres dos jornais e das semanais indica fontes dispostas a botar lenha na fogueira – a amante de fulano, a secretária de sicrano, a ex-mulher de beltrano.
Também dá dicas de histórias que, garante, valem uma checagem: a sugestão do dia é investigar uma empresa de informática que o filho do presidente abriu no Brás, assunto que apareceria na mídia três semanas depois. Aos clientes, alguns de capitais distantes, reserva a análise de conjuntura antecipada pela piada dos ternos de Alencar: "Sim, o presidente Lula vai cair". Seguido da explicação: "CPI é que nem suruba, depois que começa, ninguém controla".
"Todo governo é corrupto"
Se depender dele, a suruba continua. Para quem vive de informação, como bem sabem os donos das empresas de comunicação, escândalos e campanhas eleitorais são os grandes momentos de ganhar dinheiro tanto pelo que se divulga como pelo que se deixa de divulgar. Também é um ambiente favorável para abafar outros escândalos e relevar pecadilhos como sonegação de impostos, concorrência desleal, e outros tormentos jurídicos. "E como o lobista se informa?", pergunto, perplexa com a quantidade de notícias que ele tira da cartola a cada telefonema.
Depende do meio em que ele circula", explica. "Eu trabalho principalmente com o meu círculo de amigos. Entrei na política aos 18 anos, fui assessor parlamentar, secretário de prefeito, fiz muitas campanhas eleitorais. Você tem idéia de quantos dossiês circulam em uma campanha eleitoral? Então, as eleições passam e os dossiês ficam, a gente acaba sabendo de tudo. Também fui assessor de imprensa e lobista de grandes empresas, venho acumulando informação há décadas. Conheço todo mundo que interessa, circulo nos lugares certos, levanto a ficha de qualquer um na hora em que quiser. Sei exatamente para quem ligar conforme o caso", diz, sem esconder o orgulho profissional.
E nesse caso? Ele acredita na corrupção do PT? "Todo governo é corrupto, não há como ganhar eleição sem caixa dois e quem está no governo faz o caixa no governo, com o dinheiro público que escoa por três ralos: obras públicas, propaganda e informática. As empreiteiras tiveram seu auge no governo militar, perderam com as privatizações e a redução de obras nos últimos anos, e entraram no ramo dos serviços públicos, daí os escândalos nos contratos de lixo, por exemplo, de tantas prefeituras. Mas agora o grosso do caixa dois dos partidos vem dos contratos de publicidade – esse Marcos Valério, por exemplo, operava para os tucanos mineiros desde 1997. A informática é o filão mais recente de grandes contratos públicos e está se tornando um grande formador de caixa. O PT aderiu ao esquema dos contratos de publicidade superfaturados, das propinas nas estatais, de conseguir dinheiro nos bancos investindo naqueles que colaboram com o partido a bolada dos fundos de pensão", opina. [sic]
Mais uma ligação, mas dessa vez nosso homem não passa informação, recebe. A fonte é o repórter de uma revista semanal envolvido em polêmica entrevista com aquela que seria apresentada como testemunha-chave da CPI dos Correios. No próximo telefonema, a informação recebida segue seu caminho, repassada a outro jornalista: "Sim, a ‘testemunha’ vai confirmar, não tem outro jeito, as três fitas gravadas com a entrevista estão no cofre da editora há nove meses, se o repórter for convocado a depor, as fitas serão entregues aos membros da CPI".
O que pode parecer um vazamento de informação é na verdade prestação de serviço a dois amigos: o que fez a entrevista – cuja autenticidade vinha sendo questionada pelo longo tempo em que ficou "na gaveta" e por ter sido desmentida anteriormente pela entrevistada – e o que recebeu a notícia, aparentemente em primeira mão. Pergunto quanto do seu trabalho é pago, já que perde tanto tempo fazendo favores aos amigos. "Noventa por cento", revela para em seguida corrigir, com humor: "Agora, o percentual caiu, porque não estou ganhando nada para ajudar a derrubar o governo, é trabalho voluntário".
***
Foi na segunda visita que fiz a seu apartamento, já com a CPI dos Correios a pleno vapor, que ele me mostrou até onde ia seu empenho como "voluntário". Com a televisão ligada no depoimento de um dos acusados de operar o "esquema do mensalão", ele se comunicava com alguém que estava na CPI através de um de seus três celulares. "Os arapongas estão assanhados, a Polícia Federal também, um dos meus telefones está grampeado", explica.
Antes de testemunhar mais uma tarde de seu trabalho, peço autorização para escrever sobre o que presenciei em minha outra visita e perguntar mais sobre a sua profissão. Explico que, mais do que as informações sobre o escândalo, o que me interessa é mostrar de que modo circulam as informações, como os escândalos que caem nas graças da imprensa são alimentados com tanta rapidez. Ele concorda, desde que sua identidade seja preservada. Vai até o computador, abre o correio eletrônico e me chama para ver uma mensagem recém-enviada a um assessor parlamentar de um deputado da oposição, com quem falava no celular quando cheguei.
Para minha surpresa, é um e-mail enorme, contendo dez perguntas dirigidas ao sujeito que depõe nesse mesmo momento na CPI, acompanhadas de detalhes sobre a vida do "alvo" sustentando o questionário. O patrimônio, os contatos, as viagens de avião (acompanhadas dos prefixos dos jatos), os nomes que teriam sido indicados pelo acusado para ocupar cargos públicos, as empresas que teriam contribuído com o caixa dois, está tudo ali, de bandeja. "Dinamite pura, hein? Esse governo cai", comemora.
"E por que derrubar o governo?", pergunto, começando a duvidar que tanto empenho seja realmente "voluntário", como ele diz. A resposta não poderia ser mais surpreendente vinda de um homem que se declara de direita e que ganha dinheiro como lobista profissional: "Porque o Lula foi uma decepção, não fez nada pelos pobres, se vendeu ao FMI".
Ele acha graça ao perceber minha expressão de descrença. "Você pode não acreditar, mas, mesmo sendo de direita, defendo a necessidade de existir um partido de esquerda, um partido que esteja fora do esquema, como era o PT antes de assumir o governo. Claro, o PT roubou muito menos do que os outros governos. Em uma única jogada, o governo Fernando Henrique ganhou três vezes mais, comprando ações lá fora da Petrobras, por exemplo, dias antes de comunicar ao mercado a exploração de mais um campo de petróleo, vendendo os papéis logo depois de fazer o anúncio oficial da descoberta, o que triplicou o valor das ações. Cada notícia de que uma estatal seria privatizada era precedida da mesma operação: o Sérgio Motta anunciava que a empresa seria leiloada, as ações subiam vertiginosamente, e eles vendiam no primeiro dia da alta. Nada de tentar ganhar mais e se arriscar ao flagrante. Os caras sabiam o que faziam. O PT, não, o PT não sabe nem pode roubar. A esquerda tem de ser franciscana, não pode se corromper, tem que fazer como os partidos comunistas europeus, administrar as prefeituras e ser oposição em âmbito federal. Quem quer ser governo tem de conhecer o esquema, ter aliados reais, cúmplice de muitos negócios. O PT não sabe nem como operar: imagine esse Delúbio, que é um caipirão goiano, um sindicalista militante do PT, e esse outro Silvinho, que não consegue nem falar português decentemente, operando esquema! Isso aí é coisa pra quem sabe, pra Sarney, ACM, Sérgio Motta. Estava na cara que eles iam ser apanhados."
Comento que a imprensa parece escolher sempre a hora de um escândalo eclodir. Afinal, em setembro do ano passado, o Jornal do Brasil já havia publicado a história do "mensalão" e a Veja uma matéria falando das divergências financeiras entre PT e PTB. Por que, a exemplo da entrevista com a testemunha feita por seu amigo repórter, o escândalo levou nove meses para explodir? Por que as mesmas informações não provocaram aquele frenético fluxo de notícias do qual ele faz parte
como tantas outras "fontes", lobistas, aquilo que ele chama de "mercado" da informação?
"Porque o escândalo ainda não estava maduro", ele diz, um tanto enigmaticamente. "Veja, no caso Collor foi a mesma coisa, um jornalista de uma revista semanal já havia seguido o PC, antecipado tudo que se diria depois, publicado a matéria, e mesmo assim o caso só ganhou força com a entrevista do Pedro Collor, seis meses depois. Era o momento de o Collor cair, já não interessava mais mantê-lo ali."
"Não são movidos a propina"
"Não interessava a quem?", insisto, mesmo sabendo a resposta. "Não interessava a quem dá as cartas de fato, aos donos do poder, do dinheiro, do esquema. O governo do PT estava se tornando uma ditadura pior que a dos milicos, tentou enquadrar a imprensa com aquele conselho de ética, usa a Polícia Federal para fazer terrorismo, invadindo escritórios de advocacia, prendendo empresários trabalhadores por sonegação, por caixa dois, coisa que todo mundo faz neste país, até porque a carga tributária impede o trabalho cem por cento honesto", justifica. "Eles não merecem confiança, são bolcheviques, roubam para a causa. Claro, tem gente ganhando pra si também, mas não é essa a cabeça deles, pensam que estão acima do bem e do mal, que têm o monopólio da ética. São arrogantes, tratam todo mundo como se fossem melhores do que os outros, só podia acontecer isso mesmo", comenta.
Antes de me despedir, uma pergunta: "Você disse que lobby sempre envolve dinheiro. E no caso dos jornalistas isso não rola?"
Ele defende os companheiros de trabalho: "Hoje em dia é muito raro, os jornalistas são sérios, o que querem é informação. Claro, um colunista que tem o patrocínio de determinada empresa não vai escrever contra ela, assim como os donos de jornais e revistas têm suas preferências políticas. Não são movidos a propina, mas têm seus aliados. No governo FHC houve uma quantidade enorme de escândalos abafados".
"Pode anotar, o Lula já era"
Vai até uma gaveta, tira uns papéis e empilha na mesa. "Olha, tudo isso aqui me foi entregue na última campanha por um político do PFL", conta. Dou uma olhada nos papéis. Há denúncias contra o filho de FHC que teria ganhado dinheiro como lobista durante os governos do pai, um dossiê contra um ex-ministro que seria sócio oculto de empresas que atuavam no setor que fiscalizava, documentações de transações suspeitas envolvendo membros de governos anteriores e empresas privadas, notícias de desvio de dinheiro que teria sido feito por familiares e assessores de governantes.
"Isso ficou parado porque o político para quem eu trabalhava não quis usar, e eu sabia que não interessava à grande imprensa, claramente a favor dos tucanos", explica.
Cito o nome de um repórter, apontado como "contratado" de um grande grupo privado para plantar matérias do interesse do cliente na revista em que trabalha, cujo dono também é acusado de vender matérias de capa a empresários em dificuldades. Acrescento que há conversas gravadas e e-mails por trás das denúncias publicadas por outra revista semanal, essa fora de seu círculo de relações. Ele afirma ser amigo de ambos os denunciados e acrescenta, irônico: "Foi nessa revista que saiu? Então não faz mal. Essa ninguém lê". Ele sentencia isso, embora a tiragem de ambas as revistas – denunciada e denunciante – seja praticamente a mesma.
O telefone toca mais uma vez. Ele pede um momento ao interlocutor, e me acompanha até a porta. Mas não resiste a antecipar a novidade com que brindará mais esse jornalista: "Vão pegar a filha do presidente agora, um contrato dela com uma empresa sustentada por um banco estadual federalizado. Pode anotar, o Lula já era".
Política Econômica
POLÍTICA ECONÔMICA
FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA
25/10/2005
Nem ruptura, nem conciliação!
Um equívoco segue sendo repetido sem cessar, da direita à esquerda. Trata-se do lugar comum: "a política econômica do governo Lula é continuísmo da praticada no segundo governo FHC". O debate é paradoxal sob o ponto de vista da lógica.
Um equívoco repetido sem cessar, da direita à esquerda, da imprensa à academia, pode aparentar ser verdade não por razão lógica, mas por ser simplesmente opinião fácil. Trata-se do lugar comum: “a política econômica do governo Lula é continuísmo da praticada no (segundo) governo FHC”. Na verdade, a caracterização de uma política econômica exige a análise da combinação de instrumentos utilizados e – importante – em que grau. Basta alterar-se a intensidade no uso de alguns deles e/ou incluir-se um novo instrumento para produzirem-se novos resultados macroeconômicos. Isto ocorre porque se trata de uma decisão crucial, que altera o contexto de maneira irreversível.
O debate é paradoxal sob o ponto de vista da lógica. A oposição, com sua arrogância de achar que ninguém pode ser mais competente do que ela, afirma: – “A política econômica atual é cópia da anterior”. A situação retruca: – “Mas por que então a atual produz resultados macroeconômicos tão superiores aos produzidos anteriormente?”. O contra-argumento, geralmente, é: – “O contexto internacional agora é favorável”. Logicamente, a sentença final seria: – “Bom, então, naquele contexto, a julgar pelos resultados então apresentados, a política econômica estava equivocada e seria irracional dar-lhe continuidade!”.
Mas não é só isso, as mídias (e os leitores de colunistas) têm grande dificuldade de detectar o novo, pois só acompanham opiniões alheias e não forjam suas próprias com base em novas evidências empíricas que iluminam o presente e o futuro. Em outras palavras, aprende-se mais sobre o país interpretando novas estatísticas e pesquisas do que lendo aqueles repetidores do senso comum.
Pior, o debate degenerou-se para a mera crítica de (falta de) manipulação dos dois preços básicos de referência, a taxa de juros (para baixo) e a taxa de câmbio (para cima). Muitas vezes, observam-se representantes da extrema-esquerda dizendo o mesmo que os da direita conservadora: – “Desce juros! Sobe câmbio!”. É o encontro de interesses reduzido a desgastar a imagem do governo.
Outros oposicionistas clamavam pela imediata expansão dos gastos governamentais, desde o início do governo, ignorando a fuga de capitais dos investidores amedrontados pela elevada relação entre a dívida pública e o PIB. Se o governo então gastasse mais, aí sim haveria uma necessidade de elevação superior da taxa de juros, para convencê-los a continuar carregando os títulos de dívida. Essa alta de juros provocaria uma entrada de capital que superaria a queda do saldo corrente derivado do aumento de importações, provocado pela elevação da demanda agregada. O predomínio do superávit no balanço de pagamentos levaria à apreciação da moeda nacional e a uma nova queda do saldo corrente. Enfim, o país não teria aproveitado nem do crescimento da economia mundial nem reduzido sua vulnerabilidade externa, como se conseguiu neste governo.
Qualquer (bom) manual de macroeconomia aberta diz que a política fiscal ativa é ineficaz para retomar o crescimento com câmbio flexível e forte mobilidade de capital, condições atualmente necessárias para um relacionamento proveitoso com o resto do mundo. Sugere também que a opção, nessas condições, deve ser por uma política fiscal mais rígida e uma de crédito expansiva. Este instrumento-chave de política econômica – política de crédito – nunca foi utilizado nos dois mandatos de FHC. A preocupação maior era controlar a demanda agregada e sanear os bancos públicos, preparando-os para uma futura privatização.
Pois bem, com a expansão do crédito – o saldo total cresceu mais de 40% em dois anos e meio, com uma variação absoluta de cerca de R$ 154 bilhões –, das operações de mercado de capitais – cerca de R$ 50 bi acumulados no ano corrente – e das operações de leasing – mais de R$ 18 bi em 2005 – adotou-se o instrumento adequado para retomar o crescimento econômico. O crédito, estimulando consumo e investimento, e o superávit comercial foram os grandes componentes do impulso à demanda agregada, que levou ao crescimento da renda e à queda do desemprego. Ora, mesmo sem pressionarem a inflação, essas políticas expansivas não fizeram parte do receituário da política econômica anterior.
Outro lugar comum desmentido pelos fatos foi o que se afirmava sobre a taxa de câmbio e as importações. Basta consultar de colunistas diaristas a conceituados acadêmicos para relembrar de seus prognósticos, sempre catastróficos, nunca conferidos (e desculpados). Diziam que uma baixa taxa de câmbio – inclusive muito favorável ao país não sofrer tanto com a atual alta do preço do petróleo e a baratear importações de máquinas e equipamentos para investimentos – levaria, inevitavelmente, à deterioração do saldo comercial. Esqueceu-se que há outros determinantes do fluxo comercial, particularmente, o crescimento de outros países, a produtividade (caso do agronegócio brasileiro) e a política comercial ativa, com o novo e estratégico papel da diplomacia brasileira, cuja crítica demagógica da oposição às viagens do Presidente Lula tenta desqualificar a importância.
O melhor desempenho do governo Lula em relação a todos indicadores macroeconômicos encontrados, quando assumiu a direção da política econômica, revela o cumprimento dos compromissos assumidos em sua campanha (ver quadro estatístico abaixo). Retomou a estabilidade inflacionária, que evita a corrosão do poder aquisitivo principalmente das classes populares. Propiciou o crescimento da renda e do emprego, inclusive com novidades históricas: crédito para os trabalhadores (ativos e inativos), crédito para os informais (microcrédito e cooperativas de crédito), bolsas-famílias para os extremamente pobres, que passavam fome.
As metas de curto prazo estão sendo alcançadas. Portanto, não se confirmaram as críticas ao uso dos instrumentos de política econômica.
Na verdade, os críticos privilegiam o ataque aos meios e não avaliam justamente se os fins – estabilização e condições para retomar o crescimento sustentado da renda e do emprego – estão sendo alcançados ou não. Revelam assim mais um rancor pelo fato ou de suas idéias não estarem sendo implementadas ou por não estarem eles mesmos participando da equipe econômica.
Alguns deles, geralmente posicionados à esquerda dentro do espectro ideológico, chegam a dizer que preferem ser seguidamente derrotados em eleições a reverem suas velhas idéias não aceitas pela sociedade. Para eles, a derrota eleitoral, “em uma sociedade burguesa”, seria a prova de que suas idéias estão certas!
Uma dessas velhas idéias que se choca com o trauma histórico da sociedade brasileira é a do “confisco da poupança” e/ou da “quebra dos contratos financeiros”, que suportam “a manutenção do rentismo na economia brasileira”. Por isso, a atual política econômica adotou um gradualismo processual ao invés de um tratamento de choque no elevado endividamento público. A demanda por “ruptura dos contratos”, aparentemente um ato de valentia, na verdade, seria própria daqueles que não medem a (má) conseqüência social de seus atos.
Infelizmente (ou não), não se pode tratar de situações complexas com palavras simples, estabelecendo dilemas tipo “socialismo ou fascismo”, “ruptura ou capitulação”, etc. O “fim do rentismo” não será, simplesmente, diminuir a taxa de juros. Será que os que propõem isso nunca se perguntaram: – “Se é tão fácil, por que não já fizeram isso? Será falta de inteligência, monopolizada pelos que estão fora do governo? Será que todos os administradores públicos ´se vendem´ ao mercado financeiro?”. Não basta se perguntar: – “Entre ruptura ou capitulação, para onde caminha o governo Lula?”. Só há esses dois caminhos?
Uns defendem as moratórias realizadas pela Argentina – o “corralito”, a da dívida pública e a da externa – como um bom exemplo para o Brasil. Outros acham que o melhor exemplo de “governo de esquerda” é o de Chavez, na Venezuela. Talvez imaginem que a sociedade brasileira prefira viver a fuga de capitais e o empobrecimento como ocorridos na Argentina ou os conflitos sociais acontecidos na Venezuela...
As comparações internacionais têm de ser muito cuidadosas. Não se pode diferenciar “espaços” ignorando as diferenças no “tempo”, isto é, não é correto simplesmente fazer um corte temporal no ano presente, para denunciar que “ocupamos uma posição inferior no ranking de crescimento”. Pois bem, e onde fica o “estruturalismo”, “a tradição do pensamento desenvolvimentista brasileiro”? Não há diferenças estruturais entre os países, então, como ignorá-las nessas comparações? Comparar o crescimento brasileiro com o de um país que se recupera agora de 20% de encolhimento em quatro anos de recessão?! Comparar com o de um país produtor de petróleo, durante um choque de preços?! Comparar com o da China?! Ora, “todos receberam o mesmo impulso”?!
Mas chega-se a argumentar que “o governo Lula teve muita sorte, devido ao excepcional cenário internacional”. De fato, o país está muito bem colocado no “ranking internacional da sorte”: obteve o 6º maior saldo comercial e a 3ª maior taxa de crescimento das exportações no mundo, no ano passado, e caminha para repetir essa “sorte” no ano corrente. Parece até que “Deus joga dado”... e é brasileiro! Dizem que uma reversão desse cenário internacional, já que dele depende todo sucesso alcançado até o momento, será o apocalipse! A esquerda brasileira, mais uma vez, se fraciona no presente em nome de divergência quanto ao futuro.
Outro problema no atual debate econômico é o do uso da conhecida arma retórica de embaralhar metas de curto prazo com as de longo prazo. As primeiras são as passíveis de serem implementadas em um mandato pela política econômica. As outras, historicamente, nunca foram possíveis ser alcançadas apenas em um único governo. É o caso de, quando se desfia o sucesso nas primeiras, o interlocutor contrapõe, por exemplo, o fato de o Brasil continuar ser o 8º país em termos de concentração de renda! Pela experiência histórica de outros países, exceto em casos de revolução socialista, a melhoria de distribuição de renda se alcançou depois de muitas lutas democráticas. Dependeram de sucessivos governos de origem trabalhista com programas de fortalecimento democrático das instituições – Estado, justiça, partidos, sindicatos, imprensa, contratos, etc. –, tributação progressiva e gastos sociais (em educação, saúde, saneamento, habitação, transporte) orientados para os mais pobres, além de reforma agrária quando a sociedade era ainda predominantemente rural. Essas são as lições dos países bem sucedidos, para a população obter uma melhor qualidade de vida.
Mais do que da bandeira “desapropriação dos expropriadores”, a melhoria da distribuição de renda dependerá da mobilidade social massiva – e não apenas de alguns poucos. No século passado, a urbanização talvez tenha sido o maior fator de aumento do status social dos filhos em relação ao de seus pais. Entre os fatores atuais, destaca-se o aumento do tempo de estudo – aqui, ao contrário de outros países, quase 3/4 da população ainda exerce ocupações manuais, sendo ¼ dos indivíduos no estrato mais baixo (ocupações manuais rurais) e 2/4 nos estratos manuais urbanos. Quando se completar a massificação do ensino, inverter-se-ão essas posições através da abundância de trabalhadores intelectuais e da escassez de trabalhadores manuais, diminuindo o leque salarial e, portanto, melhorando a distribuição de renda.
Outro fator de mobilidade social é o ingresso da mulher no mercado de trabalho, elevando a renda da família. Também é o controle da natalidade, conseqüência normal de maior nível educacional, com elevação da renda per-capita familiar.
Quanto ao empreendedorismo, há mais de 3 milhões de empresas formais sem empregados, ocupando quase 4.300.000 proprietários ou sócios, e cerca de 15 milhões de empreendedores, sendo 53% deles por oportunidade e o restante por necessidade. O Brasil possui a 7ª maior taxa de atividade empreendedora.
No que se refere à urbanização, a intensificação da migração rural-urbana com a abertura de oportunidades nas cidades impulsionou uma grande quantidade de indivíduos a atingir uma situação social mais alta do que a de seus pais. Mas significou uma explosão na demanda por residências urbanas.
Entretanto, na geração de nossos pais, antes de 1970, o Sistema Financeiro de Habitação era muito pouco desenvolvido. As despesas com Habitação ainda ocupam o primeiro lugar na lista das despesas nos orçamentos das famílias brasileiras, chegando a 37% na faixa de renda mais baixa, enquanto na mais alta ficam em 23% (só o item Aluguel consome em média 17% do total de despesas na mais baixa e 10% na mais alta). O financiamento da casa própria é um grande fator de impulso à mobilidade social. Graças às medidas empreendidas pelo governo Lula, o Brasil vive uma nova fase no crédito imobiliário e no setor habitacional. No total, alcançadas as metas, serão cerca de R$ 15 bilhões de financiamento imobiliário, em 2005, o maior valor da história do país. Mas isso também parece não ter importância para os críticos...
Alguns analistas acham que “o verdadeiro núcleo duro do problema distributivo” [da renda] está na “sua repartição crescentemente desigual em favor dos rentistas e em detrimento de lucros e salários”. Daí, inclusive, “a essencialidade da taxa de juros” ocorre pela sua capacidade “em definir a trajetória da economia e alterar a distribuição da renda e da riqueza”. Ora, novamente, parece que basta colocar um desses analistas na presidência do COPOM para se resolver em uma só tacada, definitivamente, esses problemas conjunturais e estruturais!
Para encerrar, vamos fazer apenas duas pequenas observações. Primeira, são “grandes rentistas” os fundos mútuos de investimento de varejo (onde estão “o seu, o meu, o nosso dinheiro”), os fundos de pensão (onde estão futuras aposentadorias de trabalhadores), as instituições financeiras públicas federais (onde o rendimento com os títulos públicos compensa a falta de rentabilidade com a missão social). Segunda, na origem da renda dos brasileiros mais ricos – assim como na dos mais pobres (ver TD 1014 IPEA, mar 2004) – predomina a do trabalho em relação à do capital, em outras palavras, eles recebem relativamente mais salários (75%), aposentadorias e pensões (18%), aluguéis (5%) do que juros e dividendos (2%). Nesse sentido, o controle da inflação, mesmo utilizando o instrumento da taxa de juros, é uma das metas mais importantes da política econômica de curto prazo, para não deteriorar ainda mais a distribuição de renda. Combinada com o acesso popular a bancos e crédito é uma arma poderosa para elevar o poder aquisitivo da população não rica, que antes recebia só o “dinheiro de pobre” não protegido da inflação. Só o “dinheiro de rico” tinha correção monetária contra a inflação, nos bancos. Esta realidade mudou, no governo Lula.
Talvez pudesse se fazer mais (e de maneira mais eficaz) se os economistas de esquerda não se dedicassem ao esporte de “dar tiro no pé” e “lavar as mãos”. Ficar apenas fazendo oposição à política econômica do governo, como ela fosse a mesma política neoliberal de FHC, e criticando a coalizão parlamentar com os “conservadores”, que constitui a base governista, é se esquivar da responsabilidade histórica de apoiar o primeiro governo de um partido de esquerda no Brasil. Esse esforço exige uma crítica construtiva, isto é, não destruir o existente sem propor uma alternativa econômica e política viável. Senão, estará somente aumentando-se a turbulência política que a direita deseja para derrubar o governo Lula e “acabar com nossa raça”.
Fontana cobra responsabilidade da revista Veja
Fonte: Lucas Chianello
O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), voltou a questionar hoje os ataques da revista Veja contra o PT, prática que vem se repetindo no governo Lula, em especial nos últimos meses. Ele rechaçou a reportagem de capa da revista desta semana, em que acusa o PT por suposto recebimento de dólares de Cuba, para as eleições de 2002. “Uma revista de circulação nacional, numa democracia, deve ter enorme responsabilidade com as palavras que usa”, disse o líder.
Fontana colocou a reportagem no mesmo nível de outra publicada em março deste ano pela revista, em que acusa o PT de ter recebido recursos financeiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O líder lembrou que a matéria foi rechaçada à época pelo PT. “Passaram-se semanas e, como era uma denúncia falsa, as provas não apareceram, comprovando que a matéria não tinha fundo de veracidade nem base fática para ser divulgada”, afirmou.
“A pergunta que me faço é a seguinte: onde estão as vozes que diziam, meses atrás, que o PT havia recebido dinheiro das FARC? Por que elas silenciaram? Por que as provas não vieram? Onde estarão essas mesmas vozes dentro de dois, três meses, quando as provas desse suposto dinheiro vindo de Cuba não aparecerem e ficar claro que foi mais uma história fantasiosa contada por alguém e que repercutiu, do meu ponto de vista, de maneira irresponsável, graças a uma revista que deveria ter mais critérios para publicar matérias dessa envergadura e importância?”, indagou Fontana.
Esse suposto vínculo entre PT e Farc foi repetido por muitos dos adversários do Partido dos Trabalhadores de maneira “absolutamente irresponsável”, e nada se comprovou, observou Fontana. “Pergunto: como ficou a denúncia de que o Partido dos Trabalhadores teria recebido dinheiro das FARC?”.
O líder petista fez questão de frisar que todos do PT são defensores intransigentes da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. No entanto, ressalvou que “uma democracia não é forte se não tiver como um de seus esteios fundamentais a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.”
E, em resposta à oposição, para quem o PT não poderia fazer as críticas à revista, Henrique Fontana observou que é legítima a liberdade de se criticar um veículo de imprensa, sobretudo quando ele publica matérias acusatórias e sem provas. “Na minha avaliação, denúncia publicada dessa forma vem carregada daquilo que posso definir como preconceito. Segundo, é, sim, leviana, porque conclui, já no título, pela condenação de um partido político.”
Para Fontana, a acusação da revista Veja é perigosa, à medida que o título “Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba” distorce os fatos e traz uma “frase acusatória conclusiva”. Para o líder, quem lê o título da revista pode ser levado a “acreditar que o PT, por esse crime, deveria ser condenado, e, entre outras coisas, a ter a cassação do registro partidário”. Fontana frisou que o texto não tem nenhuma base fática que “justifique a acusação”.
Henrique Fontana criticou a revista também por divulgar uma denúncia cuja principal fonte é uma pessoa que já morreu. “ É preciso pedir mais responsabilidade com as denúncias feitas, porque não podemos aceitar que a cada semana ou a cada quinzena se repita uma denúncia que o correr dos dias comprova ser falsa. Depois, substitui-se a denúncia falsa por uma nova, que em dois ou três dias também se comprovará falsa”. O líder também indagou sobre onde fica o princípio da presunção de inocência.
Fontana perguntou também que tipo de critério dá respaldo a denúncias publicada pela revista da editora Abril. “Será que, se alguém disser amanhã que o PSDB recebeu recursos vindos de tal lugar, imediatamente devemos iniciar uma investigação? E se alguém disser que o PFL recebeu recursos dessa ou daquela fonte, imediatamente temos de pedir a cassação do registro político do partido?”
Segundo ele, não é razoável conduzir o processo democrático dessa maneira. “Não há nenhum indício, nenhuma prova material mínima de que o PT tenha recebido qualquer recurso oriundo de Cuba, conforme dito nessa reportagem. “. Fontana disse que o PT não teme nenhum tipo de investigação. O partido já está sendo investigado minuciosamente ao longo dos últimos cinco meses pelos adversários, inclusive com quebra do seu sigilo bancário. Mesmo assim, disse, não se pode compactuar com esse “ambiente de denuncismo, em que se substitui a denúncia desmentida pelos fatos subseqüentes por nova denúncia na semana seguinte.”
terça-feira, novembro 01, 2005
Quem diria, Fidel vira pára-raios de ACM
Revista Lado B: Quem diria, Fidel vira para-raios de ACM
Relações de cumplicidade entre ACM e a família Civita. Meio de informação para a população? Nunca. "Veja" é um pasquim da aristocracia.
sexta-feira, outubro 28, 2005
Carta ao Povo Brasileiro
Fonte do texto: Ivana Lima
Querido Povo Brasileiro, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade e de todas as etnias que singularizam esta parte da jovem civilização das Américas:
Queremos por meio desta afirmar, irmãos e irmãs de lamento e dor, que o quadro dramático de crise política do governo Lula, soprando sombras cinzentas sobre o futuro do país, não passa da exposição da perfídia deste governo e de sua base de sustentação, em especial a força majoritária do Partido dos Trabalhadores que exerce a hegemonia da base de sustentação do mesmo, às demandas mais elementares e históricas do povo que o elegeu, de trabalho, igualdade e justiça social, com sonhos e esperança de dias melhores, você não está só. Nós também, igualmente, compartilhamos sua revolta e indignação com esta situação dantesca e por isso tomamos a firme decisão de iniciar a construção uma ampla frente de caráter antineoliberal conclamando todos os partidos, organizações e movimentos revolucionários, proletários e populares, para marcharmos o mbreados a você, com o objetivo de dar um BASTA a esta vergonhosa e repugnante realidade. Já não é possível conviver com este espetáculo de horror econômico e político das oligarquias burguesas do país, em que eles se digladiam pela partilha do saque ou erário e patrimônio público ao invés de administrá-los com probidade para atenderem as nossas demandas mais elementares, soçobrando para o povo trabalhador brasileiro a miséria, o trabalho aviltante e a opressão. Não podemos mais conviver com a matança, pelos esquadrões da morte e da tortura, oficiais e clandestinos, de nossa juventude que por desespero ou ilusão do consumo violam as leis desta Matrix.
“Quando a vida se degrada e a esperança foge ao coração dos homens: só a Revolução!”
(Oscar Niemeyer, refletindo sobre esta realidade)
No Brasil dos dias atuais, presenciamos a desmoralização e morte de um governo que plantou a esperança de realizar um programa antineoliberal de esquerda e dar um basta à política de horror econômico – o neoliberalismo –, imposta pelo imperialismo e implementada pelos governos antecessores, em especial o governo de FHC (do PSDB e PFL), mas que ao fim e ao cabo, terminou por matá-la, para realizar sua estratégia política de poder (leia-se: no governo), executando um programa sócio-neoliberal de migalhas para os pobres e acumulação de riquezas para as oligarquias, e renegando todas as demandas mais elementares do povo que o elegeu. E pior, pego com “dólares na cueca” dada a forma pueril com que os seus operavam os métodos mais escusos de corrupção para irrigar o caixa de campanha e a compra de parlamentares para sua base de apo io no Congresso Nacional; e para o gozo das oligarquias, forneceu os elementos para as forças de direita, as novas e velhas oligarquias (PSDB e PFL) que haviam sido abominadas pelo voto do povo nas eleições presidenciais, se rearticularem e voltarem à cena política posando de desmascaradores da corrupção do governo Lula e reduzindo o PT a pó, e generalizando esta conduta execrável, junto à opinião pública, para todos os partidos e organizações que são realmente de revolucionários de esquerda em nosso país.
O fato ainda mais vil em toda esta história é a encenação de indignação ostentada pelos srs. ACM Neto, Roberto Goldman, Arthur Virgílio, Roberto Jefferson e tutti quanti, despertando seus “instintos mais primitivos” não é, de modo algum, a corrupção do PT e do Governo Lula, pois ele não reproduziu mais que a tradicional cultura política secular no Brasil e no mundo capitalista, mas, pelo lado dos delatores, sobretudo, o fato de que os líderes petistas não honraram seus compromissos de partilha do saque aos cofres públicos com estes. Por outro lado, dos que estão fora do governo e na oposição, o êxito do programa neoliberal do governo Lula e do PT, devido a sua capacidade de amordaçar o movimento operário e popular corrompendo-o com as migalhas que sobravam dos “banquetes e bacanais das oligarquias”. Este aparent e sucesso econômico sinalizava claramente a possibilidade de um segundo mandato para Lula, a exemplo do que ocorreu com Fernando Henrique Cardoso, e este setor das oligarquias fora do governo significaria mais quatro anos de vacas magras, considerando que a acumulação de capital na era do imperialismo se desenvolve pela concentração e centralização intensa, e a doutrina econômica neoliberal acentua ainda mais o processo e o estreita nas mãos das oligarquias financeiras internacionais, logo para se beneficiar desta acumulação num país de capitalismo dependente como o Brasil é preciso gerenciar a política econômica para manobrá-la a seu favor.
E como se chegou, o que é e para quem é este sucesso econômico? Lula chegou ao governo sob duplo estatuto, embora tenha recebido grande votação no primeiro turno das eleições presidenciais em 2002, devido à divisão das forças que formaram sua aliança nos pleitos passados (o PSB, saiu com candidato “próprio”, o trânsfuga Garotinho, e o PDT apoiou outro trânsfuga, Ciro Gomes, só que do PSDB que foi candidato do PPS), teve que encarar um segundo turno eleitoral contra o candidato oficial de FHC, o ex-ministro José Serra. Assim, a chapa composta por Lula com o senador José de Alencar (um representante das oligarquias nacionais do PL), com a corrida por alianças para o segundo turno das eleições, violentou ainda mais os princípios programáticos do PT; a adesão de Ciro Gomes (PPS) e de Garotinho (PSB) trouxe também a maior parte de seus a liados para apoiar Lula-Alencar (o PDT, o PTB, o PP e parte do PMDB). “Lula é eleito no segundo turno com 61% dos votos válidos, e se torna o 20º presidente do Brasil e com um número recorde de eleitores: 52.750.337. É o primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente no país e, no cargo, o primeiro operário, o primeiro civil sem diploma universitário e o primeiro natural de Pernambuco a exercê-lo como titular” – dizem os livros didáticos – mas não dizem que para isto teve que contrair acordos eleitorais, programáticos, composição de governo e financiamento da mesma.
Desde a campanha de 1998, o PT já havia assimilado para seu programa de governo a defesa do Real de FHC, e mesmo a crise mundial sinalizando que o Real não passava de ilusão monetária neoliberal, fez-se de cego ante a tormenta e através do discurso de que tudo não passava de “ataque especulativo”, pensando que poderia cair nas graças da burguesia e derrotar o presidente-candidato. Fernando Henrique, que sabe das coisas, mas pede que “esqueçam tudo o que disse antes”, lembrou desta vez das lições de Marx, em “O Capital”, e roubou a cena política se colocando como único capaz de defender o “Real” diante da crise econômica mundial e não deu outra: foi reeleito no primeiro turno das eleições, liquidando as pretensões do convertido de última hora. Assim, o principal eixo programático do governo L ula passou a ser: 1º - a manutenção do Real (manter a autoridade monetária nacional, o Banco Central, nas mãos das oligarquias financeiras norte-americanas, precisamente, do BankBoston, dando-lhe independência e status de Ministério); 2º - continuar as reformas neoliberais – da Previdência, Educação (no sentido da privatização e da liquidação da universalização dos mesmos), Fiscal (no sentido da institucionalização do pagamento da dívida externa, superávit primário e lei de responsabilidade fiscal), Trabalhista e Sindical (no sentido da desregulamentação e flexibilização do trabalho para ampliar a exploração da mais-valia), política (no sentido de impedir a livre organização dos grupos revolucionários através das cláusulas de barreira), e, finalmente, a continuidade do programa de privatização das estatais; 3º - a tese do ex-ministro Delfim Neto (PP) de “crescer o bolo para depois repartir”, sob a versão “do crescimento econômico, como o único meio de geração de empregos e distribuição de renda” (o que significa arrocho salarial sobre os trabalhadores e legalização do trabalho informal); 4º - a tese calhorda do PCdoB da “inserção na Globalização de forma soberana” (o que significa, em termos de relações internacionais, endurecimento nas negociações com os EUA, em torno da ALCA, apoiado no MERCOSUL, em troca da sub-exploração de mercados e diminuição do protecionismo e uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU); e 5º - a manutenção da rede de proteção social, inspirada no “São Betinho”, unificando as políticas compensatórias num único programa, “o bolsa esmola”, como um “cala boca” para “os excluídos” (leia-se: a parte estagnada da superpopulação relativa ou do exército industrial de reserva, em linguagem marxista).
Eis, portanto, de onde provém toda a ambigüidade do Governo Lula, que permite a confusão quanto ao seu real conteúdo político:
Por um lado, o das relações internacionais, a tese da “inserção na Globalização de forma soberana” permite num dia estar no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e, no outro, no Fórum Econômico Mundial, em Davos; num dia fazer um discurso contra o protecionismo e em defesa do MERCOSUL e, no outro, negociar a ALCA com os EUA; num dia posar ao lado de Fidel Castro, Hugo Chávez e até dos representantes das FARC-EP e, no outro, ao lado de Bush, Rumsfeld e Uribe, permitindo a prisão arbitrária pela Interpol a serviço da CIA, de um perseguido político, como é o caso de Olivério Medina, e conciliar com o Plano Colômbia, que pode significar uma futura intervenção militar dos EUA para tentar destruir a insurgência na Colômbia, na Bolívia, a Revolução Bolivariana e a Revolução Cubana e, em seguida, a soberania sobre a Amazônia. E, fin almente, fazer um discurso na ONU “contra a fome e a pobreza mundial”, abraçar Nelson Mandela e, em seguida, aportar na África, Oriente Médio e Índia, para não falar nos países da América Latina, para subexplorar seus pobres mercados com os produtos de “mais valor agregado” (leia-se: mais trabalho não pago) das oligarquias burguesas e exportadoras do país. Por outro lado, o da política interna, a execução de um programa neoliberal aprofundando a concentração e a centralização de renda, tornando o Brasil o 8º país com a maior desigualdade no mundo, só perdendo para países como Guatemala e os africanos Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia, como se pode comprovar pelo Relatório Sobre o Desenvolvimento Humano da ONU de 2005.
Para atingir o crescimento do PIB de 1,9%, em 2002; 0,2%, em 2003; 4,7%, em 2004; e os 3,3% (previstos pelo FMI para este ano) o que não altera em nada o PIB per capita do país, seu principal empenho foi para as exportações, que crescerão cerca de 85% entre 2002 e 2005 (se confirmadas as previsões para este ano de cerca de 118 bilhões de dólares). Naturalmente, a flutuação do Real, desde a crise de 1999, e a conjuntura em que o comércio mundial cresce duas vezes mais que o PIB, ajudou muito, mas o que explica mesmo são as reformas neoliberais que aprofundaram a exploração do trabalho pelo capital. E tanto é que o coeficiente de GINI do Brasil é de 59,3 (que mede a diferença de renda entre os que estão no topo e os que estão na base), ao invés de diminuir, aumentou. Hoje, os que estão no topo recebem quase 60 vezes mais dos qu e estão na base. Além disso, “cada dólar acrescido ao PIB (Produto Interno Bruto), os 20% mais ricos ficaram com 85 cents de dólar, e os 20% mais pobres, apenas com 0,3 cents de dólar”.
O Brasil, apesar de todos os programas compensatórios, continua a esgrimir o vergonhoso número de cerca de 33 milhões de pessoas que sobrevivem, diariamente, com menos de um dólar, o que é considerado pela ONU como abaixo da linha de pobreza. Mas só ostenta este número porque alargou a cintura dos que vivem no limiar da pobreza, ou seja, com até 2 dólares por dia. E o que são 2 dólares? Menos de 6 reais, e o que dá para comprar com 6 reais? Uma refeição por dia no “pé sujo da esquina” ou no popular “cachorro-quente?” E depois, onde morar? O que vestir? O que calçar?
A situação é desesperadora, os 10% mais ricos concentram 42% da renda nacional e os 10% mais pobres 0,7%. Hoje, 5,4 milhões de aposentados são obrigados a trabalhar porque sua renda é miserável; 3,5 milhões de crianças ajudam no sustento familiar; e 28 milhões de brasileiros trabalham acima das 44 horas semanais, o desemprego não sai do limiar dos 20%. Em conseqüência, o crescimento da pobreza e a miséria elevaram a violência ao paroxismo, as chacinas e matanças sobre os 1,7 milhões de jovens que entram todo ano no mercado de trabalho sem perspectiva de emprego, se decuplicaram mudando a composição de gênero da população total do país (o gênero feminino se tornou a maioria da população), sugerindo a imagem do tamanho do genocídio praticado, instituindo-se como política demográfica acobertada pelo manto da ambigüidade social-neoliber al do governo. As melhorias na educação são burlescas, como demonstra o último relatório da UNESCO classificando o Brasil no 72º lugar entre 127 países e o pior índice é o da evasão escolar no qual ocupa o 85º lugar (os alunos abandonam a escola antes de completar a 5ª série do ensino fundamental). Já segundo a pesquisa do IBOPE, 75% da população é analfabeta funcional, incluindo os 7% de analfabetos absolutos. Os 68% restantes têm dificuldade de interpretar e compreender textos.
Contudo, o que indigna mesmo a turma que representa as oligarquias na CPMI é a chegada de outros setores das oligarquias com a ascensão de Lula ao poder, nomeadamente o sr. Henrique Meirelles, representante do BankBoston, no lugar de Armínio Fraga, representante do mega especulador George Soros, provocando o descolamento de um setor das oligarquias que representava os interesses do City Group (Citybank), o Grupo Opportunity de Daniel Dantas, o homem mais rico do país, da intermediação dos negócios de Estado, como nos tempos de FHC, em que seus sócios e funcionários (Pérsio Áridas, Ricardo Sérgio, André Lara Resende, Helena Landau e os irmãos Mendonça de Barros) em dobradinha com o funcionário de Soros controlavam a equipe econômica do governo e que, somente no processo de privatização das Telecomunicações, envolveram negócios na ord em de 16 bilhões de dólares, faturando cifras de bilhões de dólares e não milhões de reais, que é o caso do sr. Marcos Valério no governo Lula. Eis assim o pomo de toda a discórdia que desencadeou os acontecimentos que presenciamos nos últimos meses. Para que ninguém esqueça, o Grupo Opportunity na luta para manter o controle sobre a Brasil Telecom contra a Telecom Itália, contratou a Kroll, uma empresa de espionagem dos EUA formada por ex-agentes da CIA e do FBI, para arapongar a Telecom Itália e o governo Lula durante este processo, para chantageá-los. Com a destituição de Daniel Dantas da gerência dos Fundos de Pensão da PREVI, seguiu-se também sua destituição da representação do Citybank, como já havia ocorrido na Telecom Itália, e seu grupo perdeu o controle sobre a Brasil Telecom. A vingança veio a cavalo e o fio condutor que une uma coisa à outra está na arapongagem nos Correios, que flagrou o operador de “caixa dois” de Roberto Jefferson, o sr. Maurício Marinho, detona ndo todo o processo de crise.
Contudo, queridos irmãos e irmãs brasileiros, esta luta entre as oligarquias, dos que estão fora contra os que estão dentro do governo, não se beneficiaria apenas da pueril operação de corrupção em que o PT “se atolou-se” politicamente, oferecendo argumentos para o espetáculo que temos assistido nos últimos meses, que reproduz ipsis litteres a farra com o dinheiro público nas privatizações e na compra de votos para aprovação da reeleição de FHC, o pagamento do mensalão não é uma novidade. Para edificar o seu projeto de poder, que passa pela reeleição de Lula, o PT também abandonou por inteiro os seus princípios programáticos e métodos éticos que tanto professava, passando a se apoiar cada vez mais nos setores das oligarquias posando de novo convertido ao credo neoliberal. Nesta rota foi colocando de lado cada ve z mais os grupos de esquerda do próprio PT, os nacionalistas do PDT, os reformadores sociais do PPS, os socialistas do PSB, para não falar dos partidos autodenominados comunistas que não passam de figura decorativa, e abrindo os braços para o PTB de Roberto Jefferson, o PMDB de Sarney e o PP de Severino Cavalcanti. E o resultado não deu outro nas eleições municipais de 2004: após dois anos de governo, a esperança da massa trabalhadora começa a secar, a espera pela realização de suas demandas chega ao cansaço e o PT é derrotado nos principais municípios onde suas administrações eram vitrines para sua coloração de esquerda. Em São Paulo, o povo disse não à Marta Suplicy e a maioria vota no principal adversário de Lula, ex-candidato à Presidência e ex-ministro da Saúde de FHC, José Serra (PSDB); em Porto Alegre, a principal base da esquerda petista, a maioria do povo disse não a Tarso Genro e elegeu o trânsfuga peemedebista José Fogaça, sob vestes do PPS. Enfim, a oposição se fortalec e nas eleições engrossando seu coro com as vozes dos rejeitados do PT e do governo Lula.
Diante deste fiasco do PT e o alento à reação, os aliados passam a cantar de galo e exigiram uma reforma ministerial, mas Lula não podia se desfazer totalmente da esquerda, então seus “estrategistas” cometem mais um erro ao postergar ad infinito a recomposição do governo, escorados na popularidade do presidente. Começou a tempestade e veio o primeiro recado das oligarquias: o candidato oficial do PT, deputado Eduardo Greenhalgh, é fragorosamente derrotado para presidente da Câmara dos Deputados, que em tom de ironia elegeu, hoje mais claro do que água com a renúncia, o deputado Severino Cavalcanti do PP (cuja origem social é bem parecida com a de Lula), representante do que foi convencionado de “baixo clero”, pelas negociatas e corrupção e que o próprio Lula havia rotulado “dos 300 picaretas”. Mas, o PT n ão negociou; em sua ânsia de atrair o PMDB para sua base de apoio limitou-se a fazer uma reforma de seis por meia dúzia e isto foi o estopim que faltava, a voz da oposição das oligarquias é engrossada a cada dissidência de esquerda do PT e do governo – a senadora Heloísa Helena foi linchada publicamente por defender os princípios originais do partido, e sua punição exemplar; depois foram os nacionalistas do PDT de Brizola; em seguida, os reformistas sociais do PPS, até chegar a vez do PTB.
Mas, neste contexto, os rastros da suntuosa irrigação de dinheiro nas campanhas eleitorais do PT e aliados já havia aberto o buraco para o “Valerioduto” que todos conhecem agora e que temos fortes suspeitas de que seus engenheiros estão no Opportunity-PSDB-PFL, portanto, a pedra de toque que faltava para que as oligarquias urdissem o seu plano de desestabilização do governo. Então, bastou apertar o elo mais fraco da cadeia de corrupção, o sr. Roberto Jefferson, para tudo vir à tona. Quando a reforma ministerial veio já era tarde, os ministros e parlamentares dedurados por Jefferson caíam um a um: primeiro é o ministro José Dirceu que renuncia, em seguida a direção do PT (José Genuíno, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e Marcelo Sereno), e, finalmente, o presidente do PL, deputado Valdemar da Costa Neto. O show da oposição na CPM I se tornou um espetáculo de mídia burguesa 24 horas, funcionando na base do teorema de Goebels (“repita uma mentira mil vezes até que ela se torne uma verdade”). E, neste momento, com a renúncia do presidente da Câmara dos Deputados, sr. Severino Cavalcanti, e a eleição do conciliador Aldo Rebelo, do “PCdoB do PT”, com o apoio dos “trezentos picaretas” em troca da liberação de 1,5 bilhão em projetos, afasta-se de imediato a possibilidade do impeachment, embora não altere o profundo desgaste do governo, que sangrará até o final do mandato, comprometendo seriamente a reeleição de Lula.
Portanto, irmãos e irmãs brasileiros, estejam certos de que o que está para vir se apresenta ainda mais sombrio para todos nós, pois, do presente episódio, as lições que podemos extrair é que o projeto político sustentado pelo PT, e que muitos grupos políticos atuais sustentam, aceitando por premissas o sistema político burguês, seja em tom mais radical ou menos, não passa de uma canoa furada. Aliás, este projeto não tem nada de novo e nem de diferente, ele é o mesmo projeto da social-democracia que renunciou as concepções revolucionárias do marxismo-leninismo para governar o capitalismo prometendo, por meios de reformas, atender às demandas dos trabalhadores e, historicamente, sempre acabou em fracasso, como demonstrou a longínqua experiência da República de Weimar, na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial. Lá, a fo rça que se desenvolveu em oposição a esta degradação moral e ideológica do marxismo da social-democracia, que assassinou bárbara e covardemente os revolucionários spartakistas, Rosa de Luxemburgo e Karl Liebknecht, por se recusarem a aceitar este projeto, foi o nazismo comandado por Adolf Hitler. E quem achar que nos dias atuais seja possível realizar este projeto, que veja então o que são estes governos no continente europeu: Tony Blair na Inglaterra, Zapatero na Espanha, Schröder na Alemanha, etc. Eles são tão neoliberais quanto os declaradamente neoliberais.
Contudo, analisando especificamente o caso brasileiro, uma questão se coloca quando se raciocina: tudo bem que o projeto social-democrata é uma canoa furada; tudo bem também que o neoliberalismo é um programa de traição aos interesses dos trabalhadores; tudo bem ainda que o governo se comportou com sua base aliada como se estivesse dirigindo seu partido; mas daí explicar como um partido, com a história de luta do PT pelo restabelecimento da democracia no país e contra os pelegos da ditadura no movimento operário, que se constituiu indiscutivelmente no maior repositório de quadros políticos de esquerda do país, atolou-se neste mar de corrupção contrariando todos os princípios que ostentava – “Este é um governo que não rouba e não deixa roubar” (dizia José Dirceu), torna-se no mínimo um enigma intrigante que desafia a consciênc ia humana a uma reflexão mais profunda sobre o dilema.
“Não existe vento favorável para quem não sabe a que porto se dirige!”.
(Luis Carlos Prestes ao se referir sobre a necessidade de uma direção)
E isto é um fato, queridos trabalhadores brasileiros, nossa explicação para que os dirigentes petistas tenham mergulhado neste pântano da corrupção até o pescoço e reduzido a cinzas os seus princípios programáticos e éticos, que esgrimia como diferencial histórico do PT – “um partido diferente e sem compromissos com o passado” – para criticar os erros dos partidos e organizações comunistas do país (PCB, PCdoB e os comunistas dentro do PT), são justamente os elementos que explicam sua estupenda queda e fracasso político que hoje leva ao regozijo das oligarquias burguesas do país. O PT rejeitou o marxismo, sacando destes, pragmaticamente, apenas extratos de conteúdo que lhe serviam para edificar toda uma ideologia que justificasse o seu projeto político de chegar ao governo e administrar a crise ganhando a burguesia e humanizar o capitalismo. Este projeto para a esquerda reformista e os que posam de socialista, mas que na verdade tem horror ao socialismo, isto era um atrativo, pois nada melhor que uma massa de operários e trabalhadores sem formação intelectual marxista para manobrar à vontade e Lula se prestava a isso. Mas, se isto é bom para os intelectuais pequeno-burgueses e pseudo-socialistas, imaginem para as oligarquias no país? Assim se explica o porquê o PT se tornou um partido desarmado para lidar com o parlamento e o governo burguês. A ausência da doutrina do marxismo-revolucionário era preenchida por máximas da ideologia burguesa e judaico-cristã, logo um contrabando ideológico fatal para um partido de origem operária no mundo atual. Fatal porque uma doutrina que sustenta valores éticos e morais burgueses e clericais, além de enganarem a si próprios engana também aos seus seguidores, que somente descobrem o engodo quando se chocam com a realidade.
E a realidade é que a corrupção é para o organismo social o mesmo que a febre para o organismo humano: um sintoma apenas de que algo não vai bem, que existe alguma anomalia. No caso atual, em que assistimos em todas as partes os escândalos de corrupção se manifestarem, isto indica uma situação generalizada. E se é generalizada é porque toda sociedade burguesa está doente, portanto, vivendo uma crise generalizada de suas instituições, cuja essência está na própria organicidade. É possível observar este caráter geral da crise não apenas porque o sistema de relações de produção capitalistas chegou a todas as partes do mundo através da interconexão das economias nacionais, seja esta de forma depende ou interdependente, vertebradas pelo capital financeiro, mas, sobretudo, porque a crise se manifesta nas estruturas e superestruturas socia is, nacionais, supranacionais, como uma crise também do sistema de valores econômicos, jurídicos, políticos, ideológicos e científicos, do sistema capitalista como um todo.
Pode-se comprovar este fato pelos escândalos de corrupção na ONU – Organização das Nações Unidas, acusada de desviar 10 bilhões de dólares da campanha Petróleo por Alimento no Iraque, envolvendo o filho de Kofi Annan; nas eleições nos EUA, país que exerce a hegemonia econômica, política e militar no mundo, onde o presidente é o republicano George W. Bush que teve suas duas eleições sustentadas na fraude e casuísmo (a primeira eleição foi decidida por uma Corte de 7 juízes, após o empate com o candidato democrata AlGore, excluindo das listas de votação negros e latinos no Estado da Flórida, onde seu irmão é governador apoiado na máfia cubano-americana; na segunda eleição o processo foi ainda pior, pois além da fraude eleitoral usou a conjuntura de “guerra contra o terror” para forçar e garantir a reeleição). Porém, o mais drástico me smo foi a fraude na ciência burguesa, jogando lama na instituição do Prêmio Nobel ao concedê-lo aos economistas James Mirrlees e William Vickrey, pela teoria das “distorções do mercado” – considerada a Meca do capital financeiro –, mas que na verdade não passava de fraude teórica, comprovada pela falência fraudulenta da instituição que dirigiam, o Term Long Bank, detonando a crise econômica e financeira vivida no final dos anos 90 e que dura até hoje.
Mas, a crise não fica apenas por aí, também é possível observá-la no sistema jurídico nacional e internacional, como a sentença de prisão dos 5 cubanos, como espiões, ao denunciarem o plano do terrorista, torturador e agente da CIA, Posada Carriles, de mais um atentado contra a vida de Fidel Castro (Primeiro-ministro da República Socialista de Cuba), durante a visita deste ao Panamá. Mas não é só isso, o Direito Internacional, seja comercial, financeiro ou humano, e até a Convenção de Genebra, são pisoteados todos os dias pelo protecionismo, os cartéis, o sistema de agiotagem internacional comandados pelo FMI e o Banco Mundial, as declarações de guerras, justificadas por provas forjadas, como as armas de extermínio em massa no Iraque, apresentadas pelos EUA na ONU. Da mesma forma, os direitos constitucionais mais elementares têm sid o cotidianamente desrespeitados, como é o exemplo recente da prisão do refugiado político colombiano Olivério Medina (FARC-EP). A violência contra os trabalhadores é uma rotina no campo e na cidade, sacrificando particularmente os mais pobres e jovens. Finalmente, a própria Igreja, cujo novo Papa, “sua santidade”, é um ex-membro da juventude nazista. Os exemplos são muitos e a pergunta é: o que explica tudo isto senão a crise geral das instituições da sociedade burguesa?
Portanto, chega-se à conclusão de que a crise de corrupção do governo Lula e do PT não passa de um episódio a mais na crise institucional que vive a sociedade burguesa em geral e a sociedade brasileira em particular, decorrente do aprofundamento da crise geral do sistema capitalista, como modo de produção e vida humana, impulsionada pela contradição já inconciliável entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações sociais de produção, impulsionadas pela revolução tecnológica na estrutura produtiva do capital e pela nova correlação de forças na luta de classes internacional, que se forma a partir da derrota no Leste Europeu e na URSS. Um processo que faz regredir a luta de classe do proletariado internacional, da luta entre sistemas sociais (socialismo versus capitalismo) para a luta em defesa de suas conquistas nos países socialistas e capitalistas e a resistência à grande ofensiva das oligarquias financeiras no plano mundial, através do seu novo credo em economia política, o neoliberalismo, para superação da crise. E diante destas circunstâncias, o que se pode sentir e comprovar é a destruição de todos os valores que presidiram a constituição das superestruturas jurídicas, políticas e ideológicas do denominado “Estado do Bem Estar Social”, em conseqüência, o universo simbólico que fundamenta as instituições deste período histórico. Logo, o PT, ao sustentar sua ideologia partidária nestes valores burgueses, condenou a si mesmo à morte institucional conjuntamente com a falência histórica da sociedade burguesa.
Contudo, irmão operário brasileiro, isto não é o fim do mundo e, por mais complexo e duro que possa parecer, é possível vencer. Sustentamos isto com base em que toda esta nova fase da crise geral do capitalismo inicia na década de 1970, com a mudança de paradigma da doutrina econômica do Keynesianismo (o Estado intervém no mercado para regular a contradição entre a produção social e a demanda efetiva) para o neoliberalismo (o mercado se auto-regula “por leis próprias” sem a presença do Estado; Marx demonstrou que esta é a “Lei Geral da Acumulação Capitalista”: riqueza para um ínfimo grupo de supermagnatas burgueses e miséria, escravidão e torturas do trabalho para os trabalhadores), rompendo com a paridade dólar-ouro instituída pelo Tratado de Bretton Woods, com o fim da II Guerra Mundial. Naquele contexto, embora a oligarquia financeira dos EUA tenha imposto o dólar como padrão das trocas internacionais, em lugar da cesta de moedas proposta por Keynes, dado por um lado o desastre do seu reinado a partir da passagem do capitalismo ao imperialismo (a livre concorrência dá lugar ao monopólio e à exportação de capitais: a corrida neocolonial que levou à I Guerra Mundial e a crise geral do capitalismo de 1929 que levou o mundo à grande depressão e à II Guerra Mundial) e, por outro, a nova correlação de forças no plano mundial devido à grande vitória da URSS sobre o nazi-fascismo e a ameaça de vários países da Europa passarem para o socialismo, as oligarquias frearem sua soberba “entregando os anéis para não perderem os dedos” para a classe operária e as instituições de legislações econômicas e políticas sob o paradigma keynesiano soerguem o sistema permitindo o desenvolvimento das forças produtivas.
Entretanto, este fôlego ao sistema capitalista não durou mais que duas décadas e meia. A revolução científico-técnica (cibernética, robótica e química fina), desenvolvida em emulação ao socialismo durante o período de Guerra Fria, e a nova recomposição orgânica do capital que potencializa em escala planetária a produtividade do trabalho social, somou-se aos compromissos contraídos com a classe operária elevando os custos da produção social e conduz todo o sistema a uma nova crise de acumulação, sem precedentes, exigindo a ruptura de todos os termos de trocas internacionais (o dólar se descola de sua paridade em ouro), abrindo espaço para os fluxos do capital financeiro para sustentar o consumo das massas, corrompendo toda a superestrutura do período keynesiano. Chega-se assim, a um novo processo de financeirização da e conomia mundial, o período neoliberal, da “globalização” e do “mundo sem fronteiras”. As oligarquias dos EUA, que tem o monopólio da emissão de dólares, rodaram sua maquininha e inundaram o mundo de dólares, emprestando mais do que os países pobres poderiam pagar e tornando-os cativos de dívidas externas que se decuplicavam a cada golpe da elevação das taxas de juros do Banco Central Americano (FED). Este processo tornou as dívidas impagáveis e abriu espaço para os planos de reestruturação econômica, ditados pelo FMI, e, em seguida, as reformas neoliberais do presente momento. Assim, aonde legislações impedissem o livre fluxo do capital, o método era burlar as regras ou desmoralizá-las através da corrupção. Com a queda da URSS e do Campo Socialista, que tem a ver muito com este processo, pois não podemos esquecer que justamente a Polônia era o país com maior dívida externa do Leste Europeu, o processo tomou proporções e velocidades gigantescas, varrendo o planet a.
A partir deste momento, a palavra de ordem do capital passou a ser corromper, reformas neoliberais e monopolizar macro-mercados e fontes de matérias-primas estratégicas; para os que resistam: golpes, assassinatos e guerra de ocupação. As coisas pareciam fáceis para as oligarquias, a crise do socialismo que se seguiu à queda da URSS e o massacre de sua mídia nazi-fascista enxovalhando o Comunismo, o Socialismo, “O Estado Fiscal intervencionista”, levou à baixa da luta de classes e a política-econômica neoliberal avançava por toda parte.
Porém, não demorou meia década para que a resistência dos países socialistas, da classe operária e dos povos oprimidos se fizesse sentir em todo mundo, e a incidência das crises cíclicas do capital que retornam (1977, 1987, 1997) e nas novas condições da globalização, reacende-se as lutas sociais, greves gerais, gerando o grande movimento antiglobalização, antineoliberal e anticapitalista. Além disso, também ressurge a luta armada contra o sistema sob a figura emblemática do Sub-Comandante Marcos e do Exército Zapatista de Libertação Nacional, em Chiapas no México; a guerrilha das FARC-EP na Colômbia, que se desenvolvia nas sombras e tomou vulto internacional. Os protestos de massa contra as instituições internacionais do imperialismo - OMC, FMI, Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial, G-7, aconteceram em Seattle, Davos, Gêno va, Quebec, Gotemburgo, Paris, Buenos Aires e São Paulo, se multiplicando mundialmente, até o surgimento do Fórum Social Mundial.
Diante deste quadro, que nos é tão próximo, as oligarquias financeiras nos EUA fraudam as eleições presidenciais e levam ao governo o sr. George W. Bush para por ordem na casa. O ataque ao WTC e ao Pentágono foi o incêndio do Reichtag para o imperialismo passar a desenvolver sua estratégia, do plano predominantemente político-econômico para o plano predominantemente político-militar, de guerra de rapina e ocupação, desencadeando uma nova escalada reacionária em todo o mundo. Mas, a guerra também cobrou o seu imposto e chegou ao impasse. A “Justiça Infinita” proclamada por Bush Jr., nomeando os países do que chamou de “Eixo do Mal”, enterrou-se nas cavernas de Tora Bora do Afeganistão e no deserto do Iraque. A ocupação militar nestes países elevou o déficit comercial do Tio Sam à casa dos 600 bilhões de dó lares, sua dívida externa para cerca de 1 trilhão de dólares, sua dívida federativa ultrapassa a casa dos 7,5 trilhões de dólares, e para o estarrecimento do mundo, sua dívida total chega à inimaginável casa dos 37 trilhões de dólares, ou seja, cerca de 8 vezes o seu PIB. Além disso, considerando que metade de sua dívida federativa está nas mãos de países estrangeiros, como China, Japão, Alemanha, Inglaterra e os Árabes do Petróleo, imaginem agora o que acontecerá com a economia mundial se os bancos centrais destes países, por algum motivo ou outro (os EUA renegaram e não pagaram cerca 40% de sua dívida de 1 trilhão de dólares este ano, o que mereceu apenas uma nota do The Economist) passassem a vender seus títulos da dívida americana ou migrar para outra moeda forte, por exemplo, o Euro, como fizeram os iraquianos? E isto não é tudo, o dólar já despencou cerca de 40%, e sua tendência é baixar ainda mais, por outro lado, o Alan Greenspan, em agradecimento por ser reeleito po r Bush presidente do Banco Central Americano (FED), prometeu elevar novamente as taxas de juros para atrair dólares, se seguir o exemplo de Paul Volker, em 1977, aumentando-as em 20%, golpeará novamente o mundo; hoje a quantidade de dólares que circula no mundo é três vezes maior a que circula no próprio EUA, o que dá uma idéia da dimensão real da bolha financeira americana. E se estourar esta bolha, onde a economia mundial vai parar? Eis o desespero do capital financeiro que explica a aventura da recolonização do mundo e, na medida que encontra a resistência no Afeganistão e no Iraque, tem a forte probabilidade de se voltar para a nossa América Latina, taciturna.
“Lutar por uma utopia é em parte construí-la!”.
(Fidel Castro em Un Grano de Maíz)
Em nossa América, irmãos trabalhadores, a eleição de candidatos alinhados ao programa antineoliberal no Brasil, Argentina, Venezuela e Uruguai, foi uma resposta ao cerco que os Estados Unidos estão realizando na América Latina, desde o Panamá e Colômbia até a recente base militar em Mariscal, no Paraguai. Diante desta perspectiva de intervenção no continente, temos à frente o desafio de construir a unidade latino-americana contra o imperialismo ianque. Os exemplos da Revolução Cubana e a agora Revolução Bolivariana devem nos inspirar nessa luta pela pátria comum e socialista. A Alternativa Bolivariana para as Américas e a TV Sul são duas iniciativas importantes nesta direção. E a intervenção militar no Afeganistão, Iraque, o genocídio palestino e outras ações bélicas do imperialismo devem motivar em todos nós a mais ampla defesa da soberania dos povos e do internacionalismo proletário, tendo como referência o apoio internacionalista aos republicanos na Guerra Civil Espanhola.
Nestes termos, a frente antineoliberal que defendemos aponta que o capitalismo não oferece mais saída para a crise em que a humanidade mergulhou e que a única alternativa é a sociedade socialista. Os dados da miséria em países como o nosso já são bem conhecidos; agora, em razão do furacão Katrina, que destruiu a cidade de Nova Orleans, vimos que mesmo na principal potência econômica capitalista não há o mais elementar respeito pela vida humana: interesses escusos, omissão e pobreza levaram à morte talvez de milhares de pessoas.
Em nossa história temos as heróicas experiências de frentes anti-nazistas que permitiram a derrota do III Reich, entre elas, a ANL (Aliança Nacional Libertadora) que ocupa a posição pioneira de união das forças populares contra o fascismo no Brasil. Mais recentemente, iniciativas promissoras ocorreram nos atos de 1º de Maio e nos debates sobre os 40 anos do Golpe Militar de 1964. Aqui, orienta nossa ação a força moral da sociedade organizada e a importância da mobilização popular, hoje dispersa e por isso fragilizada. Luiz Carlos Prestes afirmava que “todos os ventos ajudam a quem sabe onde quer chegar”; são estas palavras que nos inspiram a começar o trabalho para a realização do Congresso Nacional Contra o Neoliberalismo, constituindo uma efetiva alternativa do movimento operário, dos trabalhadores sem-terra, dos sem-teto, dos bairros, favelas e outros ao poder das velhas e novas oligarquias.
Destacamos nossa tradição de luta e resistência e defendemos os valores do trabalho, da ciência e do homem novo. Ao contrário do que a mídia nazi-fascista apregoa, o povo brasileiro tem dado mostras significativas de sua combatividade, como nos fazem lembrar os nomes de Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Felipe dos Santos, Luís Gonzaga das Virgens, Frei Caneca, Anita Garibaldi, Antonio Conselheiro, João Candido, Olga Benário, Luiz Carlos Prestes e tantos outros. Ao mesmo tempo, nos irmanamos com os construtores de Nossa América: Bolívar, Martí, Artigas, Tupac Amaru, Zapata, Fidel Castro, Che Guevara e outros tantos.
A frente antineoliberal e proletária deve basear sua atuação num programa que seja capaz de refundar o Brasil em torno de novos valores e proposições, estabelecendo o caráter social dos meios de produção, suprimindo os monopólios privados, e que o Estado, sob a direção do novo bloco histórico, assuma a direção da economia e da administração em novas bases: nacionalização de toda a rede bancária, emprego, moradia digna para toda a população urbana e rural, o fim da miséria e da fome, saúde pública e gratuita e educação pública, gratuita e integral.
Povo brasileiro, atravessamos dias difíceis, especialmente para aqueles trabalhadores mais pobres e espoliados, que representam a grande maioria do nosso povo, mas isto não nos faz perder a esperança nem deixar de acreditar e lutar por uma sociedade justa, solidária e baseada nos valores do trabalho, da ciência e do homem novo. Conclamamos todos à luta por tais idéias, pois, como lembra Fidel Castro em Un Grano De Maíz, “lutar por uma utopia é em parte construí-la”.
Pela apuração de todos os atos de corrupção e punição dos seus responsáveis!
Contra as reformas neoliberais e por um programa de transição para a sociedade socialista!
Por um Congresso Nacional Contra o Neoliberalismo!