segunda-feira, novembro 07, 2005

Fontana cobra responsabilidade da revista Veja

Fonte: Lucas Chianello

O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), voltou a questionar hoje os ataques da revista Veja contra o PT, prática que vem se repetindo no governo Lula, em especial nos últimos meses. Ele rechaçou a reportagem de capa da revista desta semana, em que acusa o PT por suposto recebimento de dólares de Cuba, para as eleições de 2002. “Uma revista de circulação nacional, numa democracia, deve ter enorme responsabilidade com as palavras que usa”, disse o líder.

Fontana colocou a reportagem no mesmo nível de outra publicada em março deste ano pela revista, em que acusa o PT de ter recebido recursos financeiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O líder lembrou que a matéria foi rechaçada à época pelo PT. “Passaram-se semanas e, como era uma denúncia falsa, as provas não apareceram, comprovando que a matéria não tinha fundo de veracidade nem base fática para ser divulgada”, afirmou.

“A pergunta que me faço é a seguinte: onde estão as vozes que diziam, meses atrás, que o PT havia recebido dinheiro das FARC? Por que elas silenciaram? Por que as provas não vieram? Onde estarão essas mesmas vozes dentro de dois, três meses, quando as provas desse suposto dinheiro vindo de Cuba não aparecerem e ficar claro que foi mais uma história fantasiosa contada por alguém e que repercutiu, do meu ponto de vista, de maneira irresponsável, graças a uma revista que deveria ter mais critérios para publicar matérias dessa envergadura e importância?”, indagou Fontana.

Esse suposto vínculo entre PT e Farc foi repetido por muitos dos adversários do Partido dos Trabalhadores de maneira “absolutamente irresponsável”, e nada se comprovou, observou Fontana. “Pergunto: como ficou a denúncia de que o Partido dos Trabalhadores teria recebido dinheiro das FARC?”.

O líder petista fez questão de frisar que todos do PT são defensores intransigentes da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. No entanto, ressalvou que “uma democracia não é forte se não tiver como um de seus esteios fundamentais a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.”

E, em resposta à oposição, para quem o PT não poderia fazer as críticas à revista, Henrique Fontana observou que é legítima a liberdade de se criticar um veículo de imprensa, sobretudo quando ele publica matérias acusatórias e sem provas. “Na minha avaliação, denúncia publicada dessa forma vem carregada daquilo que posso definir como preconceito. Segundo, é, sim, leviana, porque conclui, já no título, pela condenação de um partido político.”

Para Fontana, a acusação da revista Veja é perigosa, à medida que o título “Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba” distorce os fatos e traz uma “frase acusatória conclusiva”. Para o líder, quem lê o título da revista pode ser levado a “acreditar que o PT, por esse crime, deveria ser condenado, e, entre outras coisas, a ter a cassação do registro partidário”. Fontana frisou que o texto não tem nenhuma base fática que “justifique a acusação”.

Henrique Fontana criticou a revista também por divulgar uma denúncia cuja principal fonte é uma pessoa que já morreu. “ É preciso pedir mais responsabilidade com as denúncias feitas, porque não podemos aceitar que a cada semana ou a cada quinzena se repita uma denúncia que o correr dos dias comprova ser falsa. Depois, substitui-se a denúncia falsa por uma nova, que em dois ou três dias também se comprovará falsa”. O líder também indagou sobre onde fica o princípio da presunção de inocência.

Fontana perguntou também que tipo de critério dá respaldo a denúncias publicada pela revista da editora Abril. “Será que, se alguém disser amanhã que o PSDB recebeu recursos vindos de tal lugar, imediatamente devemos iniciar uma investigação? E se alguém disser que o PFL recebeu recursos dessa ou daquela fonte, imediatamente temos de pedir a cassação do registro político do partido?”

Segundo ele, não é razoável conduzir o processo democrático dessa maneira. “Não há nenhum indício, nenhuma prova material mínima de que o PT tenha recebido qualquer recurso oriundo de Cuba, conforme dito nessa reportagem. “. Fontana disse que o PT não teme nenhum tipo de investigação. O partido já está sendo investigado minuciosamente ao longo dos últimos cinco meses pelos adversários, inclusive com quebra do seu sigilo bancário. Mesmo assim, disse, não se pode compactuar com esse “ambiente de denuncismo, em que se substitui a denúncia desmentida pelos fatos subseqüentes por nova denúncia na semana seguinte.”

Nenhum comentário: