quinta-feira, março 30, 2006

A apologia do golpe

Há um movimento golpista incitado por aqueles que dizem abertamente estarem cansados do governo Lula. Os mesmos setores que blindaram o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enquanto ele servia aos seus fins, são hoje seus principais algozes.

Nelson Breve

1) O que nos espanta e estarrece é que os chefes das nossas Forças Armadas não se tenham convencido até agora de que não é um governo isso que aí está, e que é faltar com o respeito que eles devem ao país o recusarem-se a agir, enquanto é tempo, com a altivez e a visão das coisas brasileiras que demonstraram em outubro de 45 e em agosto de 54. (A catástrofe em que vamos soçobrando – 8/10/1963.)

2) É preciso que o Legislativo comece a dizer basta. Melhor seria então que, para isso, simplesmente ignorasse a decisão de Jobim e fizesse a oitiva de Francenildo Costa na CPI dos Bingos. Com certeza, assim agindo o Legislativo deixará claro que na representação legitima que faz da sociedade brasileira ínsita não está a submissão subserviente e humilhante a outros Poderes. (A Hora de o Congresso dizer basta! – 22/03/2006.)

Um intervalo de 42 anos separa a publicação destes dois editoriais. O que há de comum entre eles é que ambos foram publicados pelo mesmo jornal. O que mais há de comum entre eles? Defendem abertamente a ruptura da ordem institucional. O primeiro alcançou o objetivo de instar as Forças Armadas a derrubarem o governo do presidente João Goulart. O segundo incita a maioria oposicionista do Senado a se insurgir contra uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que busca resguardar os limites de uma investigação parlamentar estabelecidos pela Constituição Federal.

É a apologia do golpe contra o Estado de Direito, que só tem valor, na opinião de parte significante da imprensa brasileira, quando resguarda apenas um dos lados da disputa política. Há um movimento golpista incitado por aqueles que dizem abertamente estarem cansados do governo Lula. Como não há um ambiente propício para um golpe militar, hoje, no Brasil, os golpistas enrustidos partem para a incitação de outras instituições. Não se importam com a violação dos preceitos democráticos, desde que o objetivo final seja desmoralizar um governo que se recusa a governar do jeito que eles querem.

Os mesmos setores que blindaram o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enquanto ele servia aos seus fins, são hoje seus principais algozes. O mesmo jornal dos editorias acima proibia, há dois anos, que seus repórteres escrevessem que a política econômica era contestada internamente no governo. A palavra de ministros de Estado era considerada insuficiente para contestar o ministro da Fazenda. Hoje, ele é apontado como mentiroso com base na palavra de gente do povo, que pode ou não estar sendo manipulada por interesses espúrios.

Vamos partir do princípio de que o caseiro esteja dizendo a verdade. Qual é o crime cometido pelo ministro Palocci? Ter freqüentado uma casa difamada? Não ter falado a verdade? O que isso tem a ver com o interesse público? Se o ministro é suspeito de ter desviado recursos públicos ou tomado decisões contrárias aos interesses nacionais ou aos princípios da moralidade na administração pública, que coloquem na mesa as acusações. Criam um escândalo a partir de uma contradição, para justificar uma investigação ilegal, inconstitucional e imoral. Mistificam o caso para dar um ar de gravidade que ele não teria se ocorresse em um governo do PFL ou do PSDB. Desprezam as linhas de investigação que não servem para sangrar o governo.

Mas o governo também tem sua culpa. Foi incompetente em todas as áreas, especialmente na condução política e na comunicação. Silenciou quando a CPI dos Bingos saiu do foco para o qual foi criada. Não operou com empenho para assegurar maioria na Comissão. Não montou um esquadrão de crise para enfrentar a batalha da comunicação, combatendo a tropa organizada pela oposição. Com isso deixou prevalecer na mídia versões incorretas em prejuízo do governo ou de seus aliados.

A questão da quebra do sigilo, por exemplo. É falso dizer que o sigilo foi quebrado quando alguém da CAIXA levantou um extrato da movimentação bancária de Francenildo Santos Costa. Qualquer funcionário minimamente graduado da CAIXA tem permissão para obter essa informação. Informações desse tipo são levantadas aos milhares, todos os dias, por questão de segurança ou de estratégia de negócios. Não só na CAIXA, em qualquer banco.

Os extratos podem transitar por toda uma linha hierárquica, sem que tenha ocorrido crime algum. A violação só se dá quando a movimentação bancária é revelada para alguém de fora da instituição. Esse deve ser o ponto de partida de qualquer investigação séria e isenta. Primeiro: quem entregou o extrato para alguém de fora da instituição? Segundo: por ordem de quem? O resto é perda de tempo e desinformação.

Aparentemente, o folhetim do caseiro é mais uma dessas pantomimas concebidas no cruzamento da canalhice com a estupidez. No intuito de proteger o chefe de uma ofensiva criminosa, o guarda-costas comete um crime grave, que ganha proporções dantescas porque um dos lados está estrategicamente amparado pela cavalaria da mídia. O filme é conhecido. Já provocou o suicídio de um presidente, aqui, a renúncia de outros, em democracias mais perenes, e muitas fatalidades pelo mundo afora.

A oposição pode levar a cabeça de Palocci desse jeito. Os golpistas inveterados podem conseguir derrubar o governo Lula, ou desgastá-lo impiedosamente para chegar desmoralizado na disputa eleitoral. A cavalaria pode cortar muitas cabeças pelo caminho. Mas os bons soldados sabem que não há honra nesse tipo de vitória.

Nelson Breve foi repórter das rádios Eldorado e CBN, da Agência Estado e do Jornal do Brasil, e assessor de imprensa da Confederação Nacional da Indústria e do ex-deputado José Dirceu. Retorna à Carta Maior para atuar como repórter especial na Sucursal de Brasília.

2 comentários:

Anônimo disse...

porque o PT não incentiva uma mobilização forte em defesa do governo Lula e de seus integrantes?Porque as pessoas não estão se manifestando nas ruas?Aqui em Ribeirão,não existe um movimento forte em defesa de Palocci,apenas aquela nota,decente,do PT local em apoio,mais nada até agora,um jornal daqui Gazeta,ESTÁ detonando Palocci na capa,deixando entender que ele acabou com a imagem de Ribeirão,a imagem daqui já está ruim faz tempo,nada tem a ver com Palocci,e ele é motivo de orgulho,não de negatividade!Ninguém tem nada a ver com o que ele faz com sua vida pessoal!A prefeitura em Ribeirão está com o PSDB,uma porcaria por sinal!Na época de campanha perguntaram p/ ele como iria cuidar do meio ambiente,respondeu:"melhorando as praças",um prefeito não pode dar essa resposta p/ um problema tão sério!!!O pior é que nem das praças ele dá conta,é p/ rir ou p/ chorar?O PT precisa incentivar a mobilização nas ruas,com força!!!!Isso se torna urgente devido aos últimos acontecimentos!Mas sozinha nessa cidade fica difícil,se entrarem com pedido de impeachment,como deu na net hoje,como vamos fazer?Abraço e obrigada pela paciência!Elaine

Anônimo disse...

Não é de se estranhar a atitude desesperada da oposição de tentar um golpe a qualquer preço, isso é facilmente compreensível se analisarmos que a origem deles é da antiga ARENA, os civis servis das décadas de 60 e 70, associadas com os vendilhões da pátria, as prostitutas do capital estrangeiro, com uma pitada de traíras como os Roberto Freire e Heloisas Helenas da vida que servem de sustentáculos na pseudo intelectualóide esquerda com crises de amnésia e/ou idiotia.
Por incrível que pareça essa espécie é muito mais comum do que pensávamos, esses oligofrênicos imbecilizados que acreditam que qualquer literatura, mesmo que não compreendam é mais importante que tudo.O fato de ter lido Proust me cataloga como intelectual, mesmo que não compreenda nada ...
Se analisarmos essa crise como um todo, teremos um afastamento gradual de Lula do PT, na medida em que, na sua autofagia, em desesperada mea culpa, imbecil mea culpa, colocou uma carapuça da qual até agora não se livrou, paralisado pelas denúncias, algumas com base outras de um delírio convulsivo, mas todas devidamente aceitas...
Nesse isolamento, o operário Luiz Ignácio, gênio da comunicação, líder inato, o único lider nacional desse país, foi buscar, nos seus iguais, no seu povo, tão conhecido pelo mesmo, corintiano, churrasqueiro, tomador de pinga e com cheiro de perfume da Avon, sua base, seus pés, roubados por um partido ACOVARDADO, sem reação, inerte, autofágico, abismado com seus próprios erros.
A base de sustentação de Lula é invencível, ela não meandros da política, nem sabe quem foi Sartre, Marx passa longe, é cristã, gosta de futebol, de cachaça e de churrasco, adora bater papo e odeia intriga.
A gente, muitas vezes esbraveja e chama o outro lado pra porrada, mas não é isso que o povo quer, o povo quer música, dança, festa, escola, dignidade e salário. Quer alegria e esperança; coisa que a turma de lá e a de cá, muitas vezes, se esquecem.
Cada vez que um Arthur Virgílio esbraveja, perde muitos votos, toda vez que FHC, o débil, ataca Lula, esse ganha milhares de votos, toda vez que chamam Lula de analfabeto, atacam todo o povo, se o chamam de cachaceiro, atacam nosso povo simples. A inteligência do nosso presidente, seu conhecimento sobre essa população sofrida é emocionante, conhecimento de causa de quem, filho do mesmo povo tem a cara desse, espelha nosso povo.
A classe média demora a entender o recado que vem do proletariado e, históricamente se acha formadora de opinião mas, na verdade ela é como marido traído, o último a saber, conservadora e medrosa, sempre foi cauda de cometa, nunca teve brilho próprio, desde os pequenos burgueses ela sempre teve medo de andar com as próprias pernas, encurralada entre os ricos e os pobres. Último tentáculo da direita, a classe média gerou Lacerda e 64, e os tucanalhas e pefelistas representam essa classe média pseudo moralista a quem, num pincel expressionista, Nelson Rodrigues detalhou tão bem.
A CLASSE MÉDIA É A DIREITA, MORALISTA E HIPÓCRITA!
As grandes mudanças da humanidade passaram pela elite ou pelo proletariado, Lula, genialmente conseguiu agradar ao proletariado, sem desagradar a elite, gere emprego que você ganha.
A nossa bandeira é o nosso povo, proletário e digno, legiões de desesperados que estão sendo tratados com DIGNIDADE!
Nada mais representativo que essa tentativa alucinada de golpe da direita brasileira, da classe média tucana e pefelista, exploradora do pobre, sanguessuga!
Nada mais genial do que a tranquilidade de Lula, ele sabe o que faz, sabe que está do lado do povo, e esse, somente esse foi seu companheiro, fiel companheiro, sem dúvidas, sem medo do brilho do sol, sem medo da felicidade, mesmo nós, fiéis a uma causa, não temos o poder desse povo que, ao contrário do que pensamos, elegeu Lula e o reelegerá
Não precisamos temer o golpe, no pasarán. MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO.