Ao depor na CPI dos Bingos, na quinta-feira passada, o juiz federal
Julier Sebastião da Silva detalhou as ligações do PSDB do Mato Grosso com
o “comendador” João Arcanjo Ribeiro, considerado o chefe do crime
organizado no Estado. Responsável pelo desmantelamento da quadrilha de
Arcanjo e pela prisão deste, Julier afirmou perante os senadores da Comissão
que o Arcanjo foi o financiador de parte das campanhas do senador
Antero Paes de Barros e do ex-governador Dante de Oliveira em 1998 e 2002.
Os recursos repassados para o comitê de campanha dos tucanos, segundo
investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, teriam origem
no crime organizado e posteriormente devolvidos através de contratos com
o Estado e com a Assembléia Legislativa.
AL CAPONE
Ex-policial no Mato Grosso e comendador por aprovação da Assembléia
Legislativa do Estado, João Arcanjo Ribeiro encontra-se preso no Uruguai
desde 2003. Ele foi condenado há 44 anos prisão pelos crimes de lavagem
de dinheiro, sonegação, formação de quadrilha e evasão de divisas. No
entanto, as suas atividades principais - e que deram origem à sua
fortuna e há uma série de processos em andamento na Justiça - era a
exploração de máquinas caça-níqueis, cassinos ilegais, jogo do bicho e
agiotagem. Arcanjo foi condenado também pelo assassinato de sete pessoas, e
responde processo pela morte do dono do jornal matogrossense “Folha do
Estado”, Domingos Sávio Brandão, em 2002, que denunciava as ações do
“comendador” no Estado e o classificava como o “Al Capone do Mato Grosso”.
O depoimento do juiz matogrossense causou um alvoroço na CPI que é
comandada pela oposição PSDB/PFL e foi supostamente criada para investigar
a ação do crime organizado na exploração de bingos e máquinas caça
níqueis. Na verdade, depois de sete meses, este foi o segundo depoimento
ligado ao objeto da CPI e expôs uma íntima ligação do PSDB com o crime
organizado envolvendo os bingos. Mesmo tentando desesperadamente se
desvencilhar das acusações, o senador Antero Paes de Barros acabou por se
comprometer ainda mais nas diversas e destemperadas intervenções que fez
durante o depoimento do juiz.
Embora se esforcem para negar a participação do “comendador” Arcanjo no
financiamento de suas campanhas, a ação dos tucanos, em especial de
Antero Paes de Barros, é um trabalho estéril, levado em consideração a
gama de provas já reunidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
O número total dos recursos repassados por Arcanjo para o caixa 2 de
Antero e Dante de Oliveira ainda não estão finalizados em virtude dos
elementos que não param de aparecer, mas já ultrapassam a monta de R$ 6,4
milhões, em valores não atualizados, entre os anos de 1998 e 2002.
Esses números não levam em conta os recursos repassados por Arcanjo para
candidatos a deputado pelo PSDB nas duas eleições.
CONTADOR
Durante o seu depoimento, o juiz Julier apresentou o valor de R$ 240
mil que foram repassados através de 84 cheques pela Factoring de Arcanjo
para o Comitê Único de campanha do PSDB em 2002. Por outro lado, dados
fornecidos pelo Banco Central demonstram que esta mesma empresa de
Arcanjo repassou, em 2002, cerca de R$ 2 milhões para a conta de João
Dorileo Leal, sócio da gráfica que prestou serviços para a campanha de
Antero no mesmo ano.
Porém, os elementos mais substanciais foram dados pelo ex-contador de
Arcanjo, Luiz Alberto Dondo Gonçalves, condenado junto com o chefe a
nove anos de cadeia, em depoimento à Justiça Federal. Alberto detalhou
todo o esquema financeiro de Arcanjo, investimentos no exterior, formas
utilizadas para lavar dinheiro, propriedades e os recursos repassados
pelo seu ex-chefe para os tucanos. Segundo o depoimento, “a Confiança
Factoring (de Arcanjo) fez empréstimos ao Grupo Gazeta, no ano de 2002,
para custear a campanha a governador do senador Antero Paes de Barros; que
o empréstimo fora efetuado através da Vip factoring utilizando dinheiro
da Confiança Factoring, sendo tratado pelo acusado Nilson Roberto
Teixeira (gerente da factoring de Arcanjo); que, por outro lado, o grupo
Gazeta fora representado pelo Sr. João Dorileo Leal e pelo Sr. Nico, da
Triunfo; que essa operação está registrada em um back-up que fora
apreendido pela polícia federal, no cofre da Confiança Factoring; que Nilson
Roberto Teixeira disse ao interrogando que a dívida era de R$
5.700.000,00”.
Ainda no depoimento, o contador de Arcanjo confessa também que “na
campanha de reeleição do governador Dante Martins de Oliveira foram
empregados recursos oriundos de empréstimos feitos pela Confiança Factoring;
que o pagamento da factoring seria feito por intermédio da Assembléia
Legislativa do Estado de Mato Grosso; que esse acerto fora feito entre
Nilson Roberto Teixeira, o então secretário de fazenda, Valter Albano e
os integrantes da mesa diretora da Assembléia Legislativa do Estado de
Mato Grosso; que a dívida era em torno de setecentos mil reais mensais,
sendo que a Assembléia Legislativa emitia cheques em nome de diversas
empresas para totalizar o valor devido; que esse dinheiro não retornava
para a Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso pois era um
ressarcimento à Confiança Factoring dos valores que tinha despendido na
campanha do ex-governador Dante Martins de Oliveira”.
Além destas revelações do contador de Arcanjo, o próprio coordenador
geral da campanha de Dante de Oliveira e Antero, José Carlos Novelli,
admitiu que a empresa de Arcanjo pagou até o combustível que sustentou os
carros da campanha. Segundo Novelli em depoimento à Justiça, ele e
Carlos Avalone, membro do comitê financeiro da campanha, negociaram com o
gerente da factoring de Arcanjo, Nilson Teixeira, o patrocínio do
combustível.
LEPESTEUR
As ligações de Antero com Arcanjo também são apontadas como o motivo
principal para que a CPMI do Banestado acabasse sem relatório. Antero
presidia a Comissão e apresentou um relatório paralelo ao relatório
oficial que incluiu informações sobre a atuação de Arcanjo. O comendador,
conhecido no Mato Grosso pelo império montado através da criminalidade,
também era temido pelos métodos que utilizava. Sua marca era a utilização
do coronel reformado da PM, José Frederico Lepesteur, para cobrar suas
dívidas. Lepesteur fazia questão de se gabar que agia como os mafiosos
descritos em filmes norte-americanos.
Julier Sebastião da Silva detalhou as ligações do PSDB do Mato Grosso com
o “comendador” João Arcanjo Ribeiro, considerado o chefe do crime
organizado no Estado. Responsável pelo desmantelamento da quadrilha de
Arcanjo e pela prisão deste, Julier afirmou perante os senadores da Comissão
que o Arcanjo foi o financiador de parte das campanhas do senador
Antero Paes de Barros e do ex-governador Dante de Oliveira em 1998 e 2002.
Os recursos repassados para o comitê de campanha dos tucanos, segundo
investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, teriam origem
no crime organizado e posteriormente devolvidos através de contratos com
o Estado e com a Assembléia Legislativa.
AL CAPONE
Ex-policial no Mato Grosso e comendador por aprovação da Assembléia
Legislativa do Estado, João Arcanjo Ribeiro encontra-se preso no Uruguai
desde 2003. Ele foi condenado há 44 anos prisão pelos crimes de lavagem
de dinheiro, sonegação, formação de quadrilha e evasão de divisas. No
entanto, as suas atividades principais - e que deram origem à sua
fortuna e há uma série de processos em andamento na Justiça - era a
exploração de máquinas caça-níqueis, cassinos ilegais, jogo do bicho e
agiotagem. Arcanjo foi condenado também pelo assassinato de sete pessoas, e
responde processo pela morte do dono do jornal matogrossense “Folha do
Estado”, Domingos Sávio Brandão, em 2002, que denunciava as ações do
“comendador” no Estado e o classificava como o “Al Capone do Mato Grosso”.
O depoimento do juiz matogrossense causou um alvoroço na CPI que é
comandada pela oposição PSDB/PFL e foi supostamente criada para investigar
a ação do crime organizado na exploração de bingos e máquinas caça
níqueis. Na verdade, depois de sete meses, este foi o segundo depoimento
ligado ao objeto da CPI e expôs uma íntima ligação do PSDB com o crime
organizado envolvendo os bingos. Mesmo tentando desesperadamente se
desvencilhar das acusações, o senador Antero Paes de Barros acabou por se
comprometer ainda mais nas diversas e destemperadas intervenções que fez
durante o depoimento do juiz.
Embora se esforcem para negar a participação do “comendador” Arcanjo no
financiamento de suas campanhas, a ação dos tucanos, em especial de
Antero Paes de Barros, é um trabalho estéril, levado em consideração a
gama de provas já reunidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
O número total dos recursos repassados por Arcanjo para o caixa 2 de
Antero e Dante de Oliveira ainda não estão finalizados em virtude dos
elementos que não param de aparecer, mas já ultrapassam a monta de R$ 6,4
milhões, em valores não atualizados, entre os anos de 1998 e 2002.
Esses números não levam em conta os recursos repassados por Arcanjo para
candidatos a deputado pelo PSDB nas duas eleições.
CONTADOR
Durante o seu depoimento, o juiz Julier apresentou o valor de R$ 240
mil que foram repassados através de 84 cheques pela Factoring de Arcanjo
para o Comitê Único de campanha do PSDB em 2002. Por outro lado, dados
fornecidos pelo Banco Central demonstram que esta mesma empresa de
Arcanjo repassou, em 2002, cerca de R$ 2 milhões para a conta de João
Dorileo Leal, sócio da gráfica que prestou serviços para a campanha de
Antero no mesmo ano.
Porém, os elementos mais substanciais foram dados pelo ex-contador de
Arcanjo, Luiz Alberto Dondo Gonçalves, condenado junto com o chefe a
nove anos de cadeia, em depoimento à Justiça Federal. Alberto detalhou
todo o esquema financeiro de Arcanjo, investimentos no exterior, formas
utilizadas para lavar dinheiro, propriedades e os recursos repassados
pelo seu ex-chefe para os tucanos. Segundo o depoimento, “a Confiança
Factoring (de Arcanjo) fez empréstimos ao Grupo Gazeta, no ano de 2002,
para custear a campanha a governador do senador Antero Paes de Barros; que
o empréstimo fora efetuado através da Vip factoring utilizando dinheiro
da Confiança Factoring, sendo tratado pelo acusado Nilson Roberto
Teixeira (gerente da factoring de Arcanjo); que, por outro lado, o grupo
Gazeta fora representado pelo Sr. João Dorileo Leal e pelo Sr. Nico, da
Triunfo; que essa operação está registrada em um back-up que fora
apreendido pela polícia federal, no cofre da Confiança Factoring; que Nilson
Roberto Teixeira disse ao interrogando que a dívida era de R$
5.700.000,00”.
Ainda no depoimento, o contador de Arcanjo confessa também que “na
campanha de reeleição do governador Dante Martins de Oliveira foram
empregados recursos oriundos de empréstimos feitos pela Confiança Factoring;
que o pagamento da factoring seria feito por intermédio da Assembléia
Legislativa do Estado de Mato Grosso; que esse acerto fora feito entre
Nilson Roberto Teixeira, o então secretário de fazenda, Valter Albano e
os integrantes da mesa diretora da Assembléia Legislativa do Estado de
Mato Grosso; que a dívida era em torno de setecentos mil reais mensais,
sendo que a Assembléia Legislativa emitia cheques em nome de diversas
empresas para totalizar o valor devido; que esse dinheiro não retornava
para a Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso pois era um
ressarcimento à Confiança Factoring dos valores que tinha despendido na
campanha do ex-governador Dante Martins de Oliveira”.
Além destas revelações do contador de Arcanjo, o próprio coordenador
geral da campanha de Dante de Oliveira e Antero, José Carlos Novelli,
admitiu que a empresa de Arcanjo pagou até o combustível que sustentou os
carros da campanha. Segundo Novelli em depoimento à Justiça, ele e
Carlos Avalone, membro do comitê financeiro da campanha, negociaram com o
gerente da factoring de Arcanjo, Nilson Teixeira, o patrocínio do
combustível.
LEPESTEUR
As ligações de Antero com Arcanjo também são apontadas como o motivo
principal para que a CPMI do Banestado acabasse sem relatório. Antero
presidia a Comissão e apresentou um relatório paralelo ao relatório
oficial que incluiu informações sobre a atuação de Arcanjo. O comendador,
conhecido no Mato Grosso pelo império montado através da criminalidade,
também era temido pelos métodos que utilizava. Sua marca era a utilização
do coronel reformado da PM, José Frederico Lepesteur, para cobrar suas
dívidas. Lepesteur fazia questão de se gabar que agia como os mafiosos
descritos em filmes norte-americanos.
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