Documento elaborado pela direção do PT para ser aprovado no Encontro Nacional do partido, neste fim de semana, apresenta a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como fator decisivo para consolidar o avanço da esquerda na América Latina, como força de oposição "ao imperialismo norte-americano, ao domínio do sistema financeiro internacional e ao neoliberalismo" na região.
"Um dos desafios das forças progressistas, democráticas, populares e socialistas na América Latina é ampliar sua força e cooperação política, social e institucional, utilizando a presença no governo para construir um modelo alternativo, que nos liberte da ditadura do capital financeiro e das ameaças políticas e militares dos Estados Unidos", propõe o documento da direção petista.
Para a direção do PT, as eleições de outubro no Brasil estão relacionadas com processos eleitorais que ocorrem este ano na Colômbia, Peru (ambas em maio), México (julho), Equador (outubro) e Nicarágua (novembro), onde candidatos de centro-esquerda tentam chegar ao poder, além da Venezuela, onde Hugo Chávez buscará a reeleição.
"Não reeleger Lula no Brasil seria um grande golpe no processo de vitórias de partidos que estão mais à esquerda na América Latina", disse Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT.
"Desde a primeira eleição de Chávez na Venezuela, tivemos uma sequência de derrotas das forças conservadoras e neoliberais na região que não pode ser interrompida", acrescentou, mencionando também as eleições de Néstor Kirchner, na Argentina, Tabaré Vázquez no Uruguai, Evo Morales, na Bolívia, e Michele Bachelet, que manteve o Partido Socialista no poder no Chile.
Antiimperialismo
"A oposição de direita e seus aliados internacionais têm consciência da importância estratégica da eleição presidencial brasileira", afirma a direção do PT no documento. "As forças neoliberais querem recuperar o controle do governo federal, retomando a repressão contra os movimentos sociais, a submissão aos interesses norte-americanos, a ideologia e a prática do Estado mínimo e das privatizações", acrescenta o texto.
"Os Estados Unidos não podem dizer isso em público, mas não interessa a eles nossa vitória no Brasil", argumentou Pomar. "O simples fato de o Brasil ter um governo do PT é um incentivo para outras forças antiimperialistas e pós-neoliberais no continente. O isolamento nos fragiliza, como vimos no caso de Cuba e, nos anos 70, no Chile."
A direção do PT propõe que o partido "acompanhe ativamente" as eleições na Colômbia, onde o partido apóia o candidato de centro-esquerda Carlos Gaviria, contra Alvaro Uribe, que tentará a reeleição. Uribe esteve com Lula em Brasília esta semana, para uma visita de Estado.
O PT também apóia o candidato do PRD no México, Manuel López Obrador, e, na Nicarágua, a tentativa do ex-presidente sandinista Daniel Ortega para voltar ao poder. A situação no Peru ainda não se definiu, mas o PT tem as opções de apoiar o nacionalista Ollanta Humala ou o ex-presidente Alan Garcia, se este for confirmado no segundo turno presidencial.
Questão eleitoral
Para Valter Pomar, a ascensão de políticos de centro-esquerda, de diversos matizes, na região, é um fenômeno mais ligado a razões sociais e econômicas do que à disputa puramente ideológica. "A estrutura econômica e social do continente precisa ser reorganizada e isso não é uma discussão ideológica, é uma realidade para a qual os neoliberais não têm resposta", disse Pomar.
O presidente Lula deu grande ênfase em seu governo à política externa, ao ponto de torná-la um aspecto relevante no debate eleitoral, o que não é uma tradição brasileira. "O Encontro do PT trata com destaque a conjuntura internacional, entre outros motivos, porque este será um tema importante para a campanha da reeleição de Lula", afirmou Pomar.
Lula procurou aproximar-se dos vizinhos do continente e dos países mais pobres, ao mesmo tempo em que mantém e amplia as relações comerciais com os países ricos e boas relações pessoais com governantes que o PT considera "de direita", como o presidente norte-americano, George W. Bush, e o francês Jacques Chirac.
A oposição acusa o governo Lula de ter comprometido, por motivos ideológicos, as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), de ter feito concessões excessivas aos parceiros do Mercosul e de aproximar-se perigosamente de Chávez, envenenando as relações com os Estados Unidos. Para o PT, no entanto, a política externa de Lula é um dos êxitos do governo.
Reuters
Fonte: Andrei Gurgel
Um comentário:
Infelizmente continuamos com essa mania de esquerda burra!!! Pobre Brasil...
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